Quem já fez o teste RT-PCR para a detecção da Covid-19 sabe que o exame não é muito agradável. Agora, imagine estar na pele de alguém que passou quase 24 horas com parte da haste usada no exame dentro do nariz? É isso que relata uma moradora de Joinville, no Norte de Santa Catarina.
A educadora infantil Maria Emília Beva, de 48 anos, conta que procurou a UPA Sul na última segunda-feira (6), após apresentar alguns sintomas relacionados à Covid-19. Ela passou por consulta e recebeu medicação, assim como a indicação de fazer o exame na unidade.
Moradora de Joinville conta que ficou quase 24 horas com parte da haste no nariz – Foto: Arquivo pessoalA paciente aguardou cerca de uma hora entre a consulta e a realização do exame até que foi atendida por uma das enfermeiras. “Acredito que ela já estava cansada porque foi até meio áspera ao perguntar se eu já tinha feito o teste antes”, conta.
SeguirMaria Emília destaca que, no teste feito em outra situação, sentou-se em uma cadeira inclinada e inclinou a cabeça também, conforme a orientação da enfermeira que a atendeu na ocasião. Desta vez, porém, a cadeira era reta e ela também ficou com o corpo reto.
“Quando ela colocou o cotonete, o meu nariz estava assado já da coriza e, com o desconforto, eu fiz movimentos involuntários de dor. Quando ela tirou a mão, disse ‘ou a senhora se controla e fica bem quieta ou eu não vou fazer esse exame e suspendo o seu atestado'”, lembra.
Ela conta que a enfermeira não fez menção sobre a haste ter quebrado dentro do nariz. “Ela já foi abrindo o segundo cotonete. Quando ela colocou doeu muito mais porque o outro já estava ocupando lugar. Passei muita dor, mas me controlei, finalizei meu cadastro e vim embora”, diz.
Já ao sair da unidade da saúde, ela percebeu que algo estava errado, pois sentia algo estranho no nariz e espirrava muito. Desconfiada de que a haste havia quebrado, ela tentava fazer força para expulsar o objeto, mas não teve sucesso.
Foi no dia seguinte, cerca de 20 horas após o exame, que a haste se movimentou no nariz. “Fui limpar a varanda e senti que desceu algo. Eu me apavorei porque imaginei algo pequeno e fiquei com medo de aspirar novamente e passar pela dor de novo”, fala.
Com medo, ela chamou a filha, que retirou a haste do nariz da mãe com a ajuda de uma pinça. O momento foi gravado como forma de registrar o que havia ocorrido. Veja no vídeo:
Filha gravou o momento em que retira a haste com uma pinça – Vídeo: Arquivo pessoal
Maria diz estar indignada com a situação: “quando a enfermeira viu que tinha quebrado, poderia ter me levado ao médico, mas ela deixou que eu viesse embora e sofresse por quase 24 horas”, reclama. Ela pretende acionar o Ministério Público para denunciar o caso.
“Preciso fazer alguma coisa, a gente não pode admitir que isso aconteça. Isso é uma negligência”, destaca. O ND+ procurou a prefeitura de Joinville, que disse não ter conhecimento da situação, uma vez que nenhuma queixa formal foi registrada.