A tropa de choque armada no sul da China obrigou quatro supostos violadores das regras de lockdown da covid pelas ruas. O canal de mídia estatal divulgou a informação nesta quarta-feira, mas gerou críticas sobre a abordagem agressiva do governo. Os castigados foram obrigados a desfilar pelas ruas, carregando cartazes com seus nomes e suas fotografias. Cada um deles era acompanhado por um guarda, formando duplas em fila.
China reprime com humilhação pessoas que atuam contra o lockdown da covid – Foto: ReproduçãoAs imagens remetem aos castigos de humilhação pública da Revolução Cultural, lançado por Mao Tsé-Tung em 1966. Esse tipo de exibição de vergonha pública estava proibida desde 2010, em razão de ativismo de direitos humanos. Entretanto, parece que governos locais trouxeram a atividade de volta, sob justificativa de cumprir a política nacional de Covid zero.
O desfile desta quarta-feira ocorreu diante de uma grande multidão em Jingxi, na região de Guangxi, conforme a agência estatal Guangxi News. Os suspeitos desfilaram escoltados por policiais, trajando uniforme e portando armas.
SeguirInformações preliminares dão conta de que os acusados de transportavam migrantes do Vietnã para a China. Vale lembrar que praticamente todas as fronteiras chinesas estão fechadas em razão da pandemia.
Curiosamente, o jornal Beijing News, vinculado ao Partido Comunista, foi um dos que condenaram o castigo. “A medida viola gravemente o espírito do Estado de direito e não pode ser permitido que aconteça de novo”, de acordo com o veículo. Outros casos de humilhação pública começaram a circular pela internet, boa parte sobre suspeitos de contrabando e tráfico de pessoas, de acordo com informações do site do governo de Jingxi.