Santa Catarina, mais uma vez, ganhou os holofotes no perfil nacional do Instagram @brasilfedecovid. E não é porque os catarinenses vêm dando exemplo na adoção de cuidados sanitários ou porque a vacinação já começou por aqui. É justamente o contrário.
Desta vez, o registro publicado no perfil foi na Lagoa da Conceição, bairro badalado na temporada de verão em Florianópolis. Moradores da área também reclamam do clima de “Carnaval” que se instaurou desde o feriadão de Ano-Novo.
O vídeo da Lagoa foi postado pelo perfil nacional de denúncia na noite desta terça-feira (5). Na manhã desta quarta-feira (6), já contava com mais 600 comentários. A grande maioria, indignado.
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“Dá tosse só de ver”, disse um seguidor da página; “Santa Covidina”, falou outro. Uma seguidora até se surpreendeu com a situação: “gente, em que momento me perdi… Santa Catarina não era o exemplo de contenção do vírus?”.
De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Saúde, até esta quarta-feira, o Estado já contabiliza mais de 502 mil casos confirmados da Covid-19 e 5.420 óbitos, desde o início da pandemia.
“Lagoa não existe Covid”
O vídeo postado no perfil foi filmado de dentro de um carro que passa pela avenida Henrique Veras do Nascimento, no centrinho da Lagoa da Conceição.
As imagens mostram a aglomeração de pessoas nas calçadas, no gramado em frente à lagoa e em estabelecimentos. Moradores do bairro também relataram à reportagem do ND+ o clima de “Carnaval” na área.
Aglomeração na Lagoa da Conceição – Foto: Reprodução/Redes Sociais/NDGrande parte delas não usam máscara. Pessoas se abraçam, se posicionam em ajuntamentos bem próximos uns dos outros com cooler e isopores.
“Na Lagoa não existe. Não, aqui não pega. Não se preocupem que aqui não pega. Aqui não chega Covid. Xô, Covid. Covid zero. Não tem, não existe. É o único lugar do mundo que não tem Covid”, diz uma voz feminina em tom sarcástico.
Ruas lotadas e desrespeito às normas
Apesar do vídeo ter sido postado na noite desta terça-feira, a aglomeração de pessoas na região da Lagoa da Conceição tem sido comum há vários dias.
Desde o final de 2020, o que se tem visto são as ruas do entorno do centrinho lotadas de pessoas. Poucas ainda aderem ao uso da máscara.
Beijos, abraços, rodinhas de amigos com cooler para a ingestão de bebidas alcoólicas nas ruas. E não para por aí. Bares e restaurantes também têm deixado de lado os regramentos de distanciamento social e uso da máscara.
Durante o dia a situação é a mesma. Pessoas circulam sem máscara. O trânsito caótico permanece mesmo nos dias úteis, com filas chegando até o Morro da Lagoa no sentido da avenida das Rendeiras.
O que dizem a prefeitura e os órgãos de segurança
A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Vigilância Sanitária, informou que nas últimas semanas tem feito ações de fiscalização constantes em várias regiões da Capital. Na Lagoa da Conceição foi feita ação dentro de estabelecimentos.
De acordo com a prefeitura, situações de aglomeração em espaços públicos necessitam de intervenção também de forças policiais, tendo em vista a segurança dos profissionais envolvidos na fiscalização.
Ressalta ainda que, durante a pandemia, as forças policias têm autoridade sanitária.
O tenente-coronel Dhiogo Cidral de Lima, comandante do 4º BPM (Batalhão de Polícia Militar), informou que os agentes mantêm fiscalização regular na Lagoa da Conceição e que, no início da noite desta terça, foram fiscalizados pelo menos sete estabelecimentos.
O objetivo é orientar quanto ao horário de funcionamento e à adoção de regras sanitárias. O foco principal da PM, de acordo com o tenente-coronel, é manter a segurança na região.
O comandante afirmou que eventuais aglomerações são dispersas após o fechamento dos estabelecimentos.
Policiais militares fiscalizaram estabelecimentos na noite desta terça-feira (5), na Lagoa da Conceição – Foto: PMSC/Divulgação/NDA Guarda Municipal de Florianópolis informou que não registrou ocorrências nem recebeu denúncias de aglomeração na Lagoa da Conceição nos últimos dias.
Quem desejar denunciar quaisquer descumprimentos sanitários pode entrar em contato com a Guarda Municipal pelo 153 ou denunciar por meio do site do covidômetro, na aba “Denúncia Vigilância Sanitária”.