O vereador William Faria (PT), de Santa Bárbara do Leste (MG), repercutiu nas redes sociais após publicar um vídeo em que aparece abrindo um caixão com um facão para provar que a vítima não teria morrido em decorrência da Covid-19.
Vereador teve repercussão nacional após publicar vídeo nas suas redes sociais – Foto: Reprodução/Redes Sociais/ND“Isso aqui não é Covid-19. Isso é financeiro. Onde tem Covid aqui? Cadê a coroa de flores para ele? Ele tem 92 anos, para ser enterrado ‘desse tipo’ aqui”, diz o parlamentar no vídeo, gravado no domingo (25).
A Polícia Civil do município investiga o vereador por crime de Infração de Medida Sanitária Preventiva (Art. 268 do Código Penal).
SeguirO caixão foi lacrado porque a vítima apresentou sintomas da Covid-19. Segundo determinações do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, há restrições nestes casos para evitar a disseminação do vírus.
A revolta ocorreu pois a pessoas teria morrido por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), e não por Covid-19, mas teve o caixão lacrado, seguindo os procedimentos exigidos .
O vereador, no vídeo, ressalta que a necessidade é pelo “respeito ao cidadão”, que não teria direito a um velório digno com sua família.
CPI
O Presidente da Câmara Municipal de Santa Bárbara do Leste, Altair Nunes Ferreira (MDB), disse que o comportamento do vereador é suficiente para uma CPI, considerando o descumprimento das medidas.
“A Câmara esclarece que a conduta do vereador será investigada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito [CPI], tão logo o processo seja concluído, daremos maiores informações sobre este lamentável evento”, disse o chefe do Legislativo, em sessão nesta segunda-feira (26).
A SRAG é uma síndrome que ocorre por lesão pulmonar, podendo ser ocasionada pela Covid-19 ou outras doenças que atingem o sistema respiratório.
Pela pandemia, qualquer paciente de SRAG deve ser tratado como suspeito em potencial, já que a Covid-19, nos casos mais graves, tem a dificuldade de respiração como sintoma evidente.
Assim, ainda deve ser feito um teste RT-PCR para descobrir se, mesmo após a morte, tratava-se de um caso da Covid-19.