Entre 18 e 20 de novembro, fim de semana, Laró Prazeres e outros 14 amigos aproveitaram a aparição do sol para tomar banho na Lagoa do Peri, em Florianópolis. Nos dias após o encontro, dez pessoas do grupo passaram a ter quadro de náusea, vômito, diarreia e cansaço intenso: sintomas tradicionais da “virose”.
Grupo passou três dias na Lagoa do Peri e os primeiros sintomas começaram na segunda-feira da última semana – Foto: Bruna Stroisch/ND“Na madrugada de terça a minha namorada passou mal. Às 9h, no meio do trabalho, comecei a vomitar. Voltei pra casa fraca, não conseguia comer e trabalhar”, lembra Laró. As duas cogitaram uma possível intoxicação alimentar. Quando viram os outros amigos com os mesmos sintomas, descartaram. “Ninguém comeu as mesmas coisas”, diz.
No posto de saúde a enfermeira confirmou o quadro de virose. Disse também que poderia ter sido transmitida pela água da Lagoa do Peri. O remédio indicado pela profissional foi tomado por todo o grupo e as “altas” vieram na sexta-feira. Permaneceu ainda uma sensação de “empedramento” ao comer.
SeguirDesidratação, dor de barriga forte, fraqueza e enjoo foram alguns dos sintomas que perseguiram o grupo durante a semana. Como virose, ou “virose de verão”, entende-se uma série de doenças provocadas por vírus, dentre eles o enterovírus e adenovírus, e que se disseminam principalmente na temporada.
Balneabilidade
Definir a origem da infecção é difícil e o vírus causador do desconforto só pode ser identificado por análise. Laró acredita a virose foi, assim como sugerido pela enfermeira, provocada pelas águas do Peri – a única experiência “compartilhada” pelos dez amigos doentes – e estranhou o fato do local ser um dos 50 balneáveis da Capital.
Entretanto os testes de balneabilidade feitos na região não detectam diretamente os vírus, mas somente a presença da bactéria Escherichia Coli – presente no intestino e nas fezes humanas. Por meio da detecção os técnicos do IMA (Instituto do Meio Ambiente) conseguem identificar se há esgoto doméstico nos pontos de coleta.
“Se há esgoto pode ter outros organizamos nocivos ao homem, como vírus. Mas nada impede que existam vírus em águas próprias, a própria legislação permite certo nível de concentração. Mas a possibilidade maior é nas águas impróprias”, ressalta Marlon Daniel da Silva, gerente do laboratório de medições ambientais do IMA.
O Peri é um local que costuma estar sempre balneável. Segundo os registros do Ima, a última vez que o local registrou pontos impróprios foi em maio de 2018. Na época a concentração da bactéria ultrapassou o permitido. “Teve outra vez, durante um carnaval. Com o excesso de pessoas, a lagoa quase chegou a ser considerada imprópria”, lembra.
Surtos de virose
Silva enfatiza que não é todo surto de virose que ocorre por conta do banho de mar ou lagoa. “A água do Peri é de excelente qualidade e já teve selo de bandeira azul. As vezes pode ser que, como é um grupo de pessoas, se um está com virose ele pode ter contaminado os outros”, supõe.
Conforme a Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, a Capital já registrou 79 surtos de viroses em 2021. “Costumamos ter uma média de 77 surtos por ano. Estamos na média dos últimos anos, mas estamos atentos à qualquer alteração”, informou a pasta, em nota.
Alterações climáticas, o surgimentos de novos vírus e bactérias, entre outras causas, ocasionalmente motivam “surtos de diarreia” que fazem alguns anos terem mais recorrência de viroses do que outros, detalhou a pasta.
Cuidados
A Vigilância Epidemiológica sugere as seguintes precauções:
- Cuidar com a conservação de alimentos;
- consumir água potável regularmente, a hidratação é muito importante;
- se atentar sempre as datas de validade;
- lavar as mãos regularmente e não levar qualquer coisa à boca; e
- não comprar alimentos sem saber procedência e não consumir alimentos em locais sem alvará sanitário, pois estes locais passam por verificação de boas práticas.