Vírus causador da diarreia é detectado em rio de Florianópolis; saiba qual

Professora da UFSC explica que pela via alimentar o vírus pode se espalhar por meio da irrigação e cultivo em ambientes já contaminados

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O Norovírus, visto como causador da epidemia de diarreia em Florianópolis, também foi identificado na água no Rio do Brás, em Canasvieiras, Norte da Capital.

Laboratório de Virologia Aplicada analisa amostras de diversos materiais – Foto: Daiane Mayer/Estagiária de Fotografia da Agecom/UFSC/Divulgação/NDLaboratório de Virologia Aplicada analisa amostras de diversos materiais – Foto: Daiane Mayer/Estagiária de Fotografia da Agecom/UFSC/Divulgação/ND

O Laboratório de Virologia Aplicada da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) reconheceu o Norovírus Humano Genótipo I (HuNoV-GI) em 12 das 19 amostras fecais analisadas em parceria emergencial com o BiomeHub e a Visa (Vigilância Sanitária de Florianópolis).

A equipe coordenada pela professora Gislaine Fongaro, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia, analisou 19 amostras fecais e três em praia e rio. “O micro-organismo é um agente patogênico e sua presença significa um problema para saúde pública”, alerta. As amostras foram fornecidas pela Visa.

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A professora explica que pela via alimentar o vírus pode se espalhar por meio da irrigação e cultivo em ambientes já contaminados. Além disso, esse tipo de micro-organismo também está associado a rotas de cruzeiros, causando surtos em confinados. “Hortifrúti e moluscos também são alvos de acúmulo desse vírus, além das águas”, pontua.

Vírus não foi identificado no mar

Ainda conforme a professora Gislaine, na análise foi possível identificar que o vírus surge na via fecal e acomete águas. “Mostra a contaminação das águas por fezes contaminadas pelo vírus”, pontua.

Nessa coleta, entretanto, o micro-organismo não foi identificado no mar. “A balneabilidades no Brasil e em vários países é mensurada por padrão bacteriano como indicador. Vírus são buscados em pesquisas ou em casos de surtos”, observa. “Quanto mais amostras tivermos, mais representação teremos da situação daquele ponto amostrado”.

Revitalização Rio do Brás

A prefeitura de Florianópolis definiu um programa pró-balneabilidade, que inclui um Plano Diretor de Drenagem, com aplano de estudos, projetos e obras de drenagem para toda a cidade, além da revitalização do Rio do Brás — que desemboca no mar em Canasvieiras.

Segundo o Secretário Adjunto do Meio Ambiente, Lucas Arruda, um grande estudo será realizado, o plano diretor de drenagem cria uma estrutura de estudos, projetos e obras futuras e, especificamente sobre o Rio do Brás, uma parceria está sendo negociada.

“A gente está negociando um estudo doado pela iniciativa privada, até para nos dar velocidade em razão do desassoreamento, porque o rio está com uma lâmina muito baixa; já teve 2 metros, e hoje está com 30 centímetros”, pontua.

Além disso, serão realizadas obras de recuperação ambiental em torno do rio e a limitação da bacia hidrográfica. “Uma hipótese na revitalização do Rio do Brás é criar um mecanismo que mantenha o rio conectado com o mar, renovando sempre a qualidade da água do rio já desassoreado”, completa Arruda.

A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) afirma que tem quase 100% de coleta e tratamento. em Canasvieiras, onde fica o Rio do Brás, por isso diz que “a explicação para contaminação do rio são as ligações clandestinas na rede de drenagem. Quem fiscaliza é a Vigilância Sanitária e a rede de drenagem é uma estrutura da Prefeitura”.

Alerta para continuar monitoramento

Conforme Gislaine, a presença do vírus no rio pode indicar que ele chegue às águas por via direta de esgotos ilegais, principalmente. Do rio, é possível que seja transportado para o mar – muito embora os estudos de balneabilidade rastreiem bactérias e sejam necessárias mais amostras e análises.

A pesquisadora lembra que é importante monitorar mais águas, mais pontos e também os alimentos, além de diagnosticar pacientes, sabendo a origem etiológica do surto. Rastrear águas e alimentos possivelmente contaminados, buscando melhorias sanitárias e evitando novos eventos também é ação importante. “Estamos monitorando ainda amostras fecais e ambientais coletadas diretamente pela UFSC e comunicaremos à Vigilância Sanitária após novos resultados.”

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