Pareceu magia. Liz e Maria estavam tristonhas e, logo que viram o cãozinho Buddy, se animaram. Ambas estão internadas, em tratamento, na pediatria do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC/Ebserh), da Trindade, em Florianópolis.
O cãozinho Buddy fez a alegria da criançada no HU – Foto: Nícolas Horácio/NDA visita foi na tarde de terça-feira (21) e o animal foi trazido pela ONG (Organização Não Governamental) Patas do Bem Animais de Terapia, marcando, também, a reabertura da brinquedoteca do HU.
A estudante manezinha Sofia Madeira, 23 anos, é mãe da Liz, de um ano e três meses. O bebê foi internado com pneumonia. Para Sofia, a visita do cão foi uma experiência maravilhosa:
Seguir“A Liz ama animais e estávamos em isolamento, mas saiu teste negativo da Covid, deixamos o quarto hoje e foi um presente esse momento”.
Liz no colo da mãe Sofia; Buddy, com a tutora Cintya e Maria com a mãe Mariane – Foto: Nícolas Horácio/NDJá Mariane Loezer, também manezinha, tem 21 anos. Ela é do lar e mãe da Maria, de um ano e quatro meses, internada com dificuldades respiratórias. Mãe e filha também adoraram o contato com Buddy:
“Foi muito bom para a recuperação dela. Minha filha estava bem caidinha e ficou muito feliz. Como acabou de sair do oxigênio, pode vir aqui brincar. Foi muito bom!”
Cãozinho Buddy “trabalha” há sete anos
Cintya Mortari, 42 anos, é de Guaraciaba (SC), membro da ONG e tutora de Buddy, um maltês que “trabalha” desde 2015. “Ele foi treinado desde pequeno”, afirmou Cintya.
Buddy é muito dócil e se vende fácil por carinho e comida. “Para esse trabalho, ele é bem adequado. Ele gosta de colo e adora carinho na barriga”, contou a tutora.
Ana Jofre, Buddy e Cintya Mortari são voluntários da ONG Patas do Bem Animais de Terapia – Foto: Nícolas Horácio/NDAna Jofre, 43 anos, é de Piquete (SP) e também da ONG. Segundo a profissional, é fácil perceber, quando a criança encontra o animal, que o contato traz bem-estar.
Para participar, os animais encaram um processo seletivo. Depois, vem a capacitação dos voluntários – humanos e animais. Além disso, eles ficam, constantemente, em adestramento com a educadora canina.
Atendimento humanizado
Marcus Setally, 37 anos, é cirurgião dentista e coordenador do grupo de humanização do HU/UFSC. Ele explicou que a visita do cãozinho Buddy e a brinquedoteca são duas das diretrizes da política nacional de humanização. A brinquedoteca existe há mais de dez anos. A atividade da ONG ocorre desde 2018.
“O tratamento deve ser um conjunto de propostas terapêuticas para, no todo, favorecer o paciente. Não é apenas um tratamento cirúrgico, ou farmacológico, mas também humanizado, afetivo. Nada mais importante que receber a visita de um animalzinho para ajudar nesse processo de recuperação da saúde”, disse Marcus.
Buddy fazendo a alegria de Liz e Maria na brinquedoteca da pediatria do HU – Foto: Nícolas Horácio/NDKarine Schneider, 43, é enfermeira de referência da pediatria e cuida da brinquedoteca. “Reativar esse espaço é uma alegria imensa. A brinquedoteca, para uma unidade hospitalar pediátrica, tem um impacto muito grande. Nesse tempo fechada, percebemos a falta que faz para as crianças”, disse Karine. “Reativar com a presença do Buddy foi melhor ainda”, completou.
Após a retomada, as visitas dos animais da ONG será quinzenal, às sextas-feiras. Atualmente, o HU tem 15 crianças internadas, exceto quem está em isolamento todos tiveram contato com o cãozinho Buddy na visita de terça.
Além disso, graças à Lei Estadual nº 17.968, os pacientes do HU, e de quaisquer hospitais privados e públicos contratados, conveniados e cadastrados no SUS (Sistema Único de Saúde), em Santa Catarina, podem receber a visita dos seus animais domésticos e de estimação, sob algumas condições. Cão, gato, hamster e até pássaros podem ir, após a triagem do serviço de controle de infecção hospitalar.