Xilitol: pesquisa recente associa adoçante que substitui açúcar a risco de ataques cardíacos

Xilitol é um adoçante comumente utilizado para substituir açúcar; pesquisadores apontam que essa substância pode estar associada a problemas no coração, mas são questionados

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Geovani Martins Florianópolis

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Uma pesquisa recente conduzida pelo Cleveland Clinic, centro médico de referência nos Estados Unidos, indicou que consumir grandes quantidades de alimentos e produtos que contenham xilitol pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares causados ​​por coágulos sanguíneos.

xilitolO xilitol, adoçante comumente utilizado para substituir o açúcar, pode estar associado a problemas cardíacos, segundo pesquisadores – Foto: Reprodução/Getty Images

Xilitol é utilizado como substituto do açúcar

O adoçante é naturalmente encontrado em fibras de vegetais como milho, framboesa e ameixa.

Ele é tão doce quando o açúcar comum (sacarose), porém com metade das calorias, sendo frequentemente utilizado em doces sem açúcar e até mesmo adicionado a produtos de higiene bucal como pastas de dente e enxaguantes.

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mulher colocando pasta de dente na escovaXilitol é comumente adicionado a pastas de dente e doces sem açúcar – Foto: Reprodução/Getty Images

Adoçante pode aumentar problemas no coração

A pesquisa do Cleveland Clinic associou o consumo excessivo e frequente do xilitol a eventos como ataques cardíacos e derrames.

Publicado no European Heart Journal, o estudo analisou dados de mais de três mil pacientes nos EUA e na Europa. Os pacientes tiveram seus níveis sanguíneos medidos, antes de uma parte deles ser submetida por três anos ao consumo de produtos com diferentes níveis de xilitol.

Ao final dos testes, os pacientes com maior quantidade de xilitol presente no sangue apresentavam problemas sanguíneos. A pesquisa concluiu que o xilitol aumenta o risco de coágulos sanguíneos, aumentando a probabilidade de a pessoa sofrer com problemas cardiovasculares.

Atenção às quantidades

Stanley Hazen, um dos médicos envolvidos na pesquisa, esclareceu que o risco não é grande se a quantidade de xilitol consumida for pequena, mas os consumidores devem estar atentos.

“Isso não significa que devemos jogar fora os produtos que contêm xilitol, mas devemos estar cientes de que o consumo de produtos contendo níveis elevados desse adoçante pode aumentar o risco de eventos relacionados a coágulos sanguíneos”, explicou o pesquisador.

Hazen aponta que o uso de adoçantes para substituição do açúcar deve ser avaliado com maior cuidado pelos especialistas da saúde.

“Esse estudo mostra a necessidade imediata de se investigar adoçantes que continuam a ser recomendados no combate a condições como obesidade ou diabetes”, disse o médico.

Os pesquisadores, no entanto, não puderam confirmar se o xilitol é o agente causador dos ataques cardíacos e dos derrames, mas apenas estabelecer uma ligação entre o consumo do adoçante e esses problemas.

O estudo foi publicado após a Organização Mundial da Saúde ter deixado de recomendar o uso de diversos adoçantes classificados como “sem benefícios e arriscados”.

Especialistas questionam o estudo

Carla Saunders, presidente do Conselho de Controle de Calorias dos EUA, questionou a metodologia da pesquisa e afirmou que seus resultados são contrários a décadas de evidências científicas sobre a segurança do xilitol.

“Deve-se notar que os resultados são limitados apenas na sua capacidade de estabelecer uma associação. Além disso, uma fase do estudo incluiu indivíduos que já apresentavam risco aumentado de eventos cardiovasculares adversos”, disse Saunders.

Saunders classificou a pesquisa como um “desserviço” para quem depende de alternativas ao açúcar. Ela também salientou que o xilitol possui benefícios dentários comprovados, incluindo a prevenção do acúmulo de placa bacteriana e de cáries.

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