A autonomia da Polícia Civil e a proposta da lista tríplice

Artigo do ex-presidente da Adepol-SC, Ulisses Gabriel

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O ex-presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina-Adepol, Ulisses Gabriel, volta a defender autonomia funcional, financeira e política da Polícia Civil em todas suas atividades.

Sugere que a escolha do Delegado Geral seja feita por lista tríplice entre os delegados, tema que foi objeto de projeto de emenda constitucional do ex-deputado Leonel Pavan e que vai ser reapresentada pelo deputado Ivan Naatz.

Gabriel destacou-se na presidência da Adepol e agora atuando no sul – Foto: ArquivoGabriel destacou-se na presidência da Adepol e agora atuando no sul – Foto: Arquivo

O deputado Mauricio Eskudlark, delegado de Policia aposentado, já se manifestou contra a lista.

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Confira o artigo do delegado Ulisses Gabriel sobre o tema:     “(Imagine um amigo de um político estuprar uma menina. Aí, para segurar a investigação, o político pede que alguém interfira na investigação. Como você se sentiria como pai da vítima?)No Brasil, caso ocorra um crime, surge a Polícia Civil (PC), como órgão de investigação, que vai dar início a persecução criminal, identificando o autor e trazendo informações sobre as circunstâncias em que ocorreu, trazendo indícios de autoria e materialidade. Para tanto, a Polícia de investigação, seja ela a PF (em nível federal) ou a PC (em nível estadual), tem que ter autonomia administrativa, financeira, orçamentária e funcional, precisando, também, de boa estrutura, número mínimo de policiais, bem treinados e devidamente remunerados, coordenados por Delegados de Polícia (com formação jurídica qualificada) independentes, com a escolha das chefias por lista tríplice e independência funcional, onde a própria polícia escolhe três nomes, que são levados ao Governador. Escolhido o nome, o chefe terá mandato para gerir a Polícia, sem interferências, como já ocorre no Ministério Público Estadual. Só assim as coisas vão caminhar dentro de princípios republicanos e abusos políticos não vão acontecer.