Há uma semana, a quinta-feira (8) começava com uma notícia que se repete rotineiramente e que, a cada repetição, destrói sonhos e choca pela violência e pelas vidas que se perdem nas curvas da BR-376. Por volta das 8h30, no Km 667, o ônibus que transportava atletas com sede de vitória tombou na rodovia e matou duas pessoas, em Guaratuba.
Acidente completa uma semana e investigação deve se estender por mais de um mês, adianta delegado – Foto: Adriano Mendes/NDTVO Umuarama Futsal havia saído da cidade paranaense às 22h do dia anterior com destino a Jaraguá do Sul, onde disputaria a primeira partida das quartas de final da Copa do Brasil na sexta-feira (9), às 17h. A bola não rolou naquela sexta-feira e perto do horário inicialmente marcado para começar a primeira das duas decisões para o time paranaense, o coordenador e treinador das categorias de base, Paulo Vitor Gonzales, o Vitinho, era enterrado em Umuarama. No dia seguinte, o motorista Osvaldo da Silva, carinhosamente chamado de Vadinho, foi sepultado em Perobal.
Uma semana depois, 19 das 20 pessoas que estavam no ônibus e ficaram feridas, voltaram para casa, uma delas, continua internada em estado grave. O motorista auxiliar passou por cirurgia ainda no dia do acidente e, desde então, continua internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal São José, em Joinville.
SeguirO ônibus azul, cor do Umuarama Futsal, está no pátio da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e deve continuar por lá, ao menos até que a perícia criminalística seja realizada. O delegado Leandro Albuquerque Stábile, responsável pela investigação, afirma que, embora os inquéritos sem réu preso tenham um prazo de 30 dias para conclusão, no caso da investigação sobre o acidente “pode ser que esse prazo sofra algum tipo de dilação”.
De acordo com ele, o caso é muito técnico e exige diversos laudos, o inquérito deve se estender. “A Polícia Civil segue investigando os fatos e esperamos, o mais breve possível, chegar a uma conclusão a respeito do que exatamente aconteceu”, garante.
Ônibus do Umuarama Futsal tomba na BR-376 – Vídeo: Reprodução/Redes Sociais
Os jogadores e comissão técnica que estavam no ônibus contaram que o ônibus perdeu o freio momentos antes do acidente. Segundo os relatos, o motorista avisou que estava sem freio.
De acordo com o técnico Nei Victor, Vadinho manobrou desviando de carros pela BR-376 quando percebeu que estava sem freio e, automaticamente, ganhou velocidade na serra, mas não conseguiu chegar na área de escape. O ônibus tombou, deslizou pela rodovia e parou a poucos metros de onde o motorista queria chegar para tentar salvar a todos.
“O motorista começou a gritar que estava sem freio, sem freio, acabou o ar e começou a desviar dos carros em alta velocidade, aumentando a velocidade porque é uma serra né e quando estava quase para chegar na área de escape, faltava uns 150 metros, um carro infelizmente atrapalhou e ele não conseguiu desviar, bateu e tombou. Aí foi aquele desespero”, contou ainda no dia do acidente.
O delegado explica que a investigação iniciou ainda na quinta-feira do tombamento com a requisição de perícias do local, além de perícias e laudos no IML (Instituto Médico Legal) e da PRF. “Já foi requisitada pela Polícia Civil de Guaratuba informações com relação ao detalhamento da dinâmica dos fatos para a PRF, o boletim circunstanciado já está sendo lavrado, também já foi requisitada a perícia da criminalística junto ao ônibus que se encontra no pátio da PRF. Nós também requisitamos imagens das câmeras de segurança da concessionária que administra a rodovia já que ela pode nos passar aproximadamente como se deu a ocorrência”, fala.
Parte do ônibus foi destruída com o impacto – Foto: Adriano Mendes/NDTVStábile conta que a polícia ainda entrará em contato com os passageiros, “com o objetivo de ouvir o maior número de pessoas possível que se encontrava dentro do veículo”.
Os depoimentos devem acontecer por carta precatória ou vídeo conferência, uma vez que entre Guaratuba e Umuarama são cerca de 690 quilômetros de distância. Restavam pouco mais de 100 quilômetros para o destino final daquela viagem, que nunca terminou.