Os acusados de matar Ana Kemilli, em Campo Belo do Sul, na Serra catarinense, em fevereiro de 2021, vão a júri popular, conforme decisão da Justiça publicada na última quarta-feira (13), que ainda cabe recurso.
Corpo de Ana Kemilli (direita) foi encontrado amarrado em área de mata no interior do município da Serra – Foto: CBMSC/Reprodução/NDO documento foi assinado pela juíza substituta da comarca de Campo Belo do Sul, Adriana Inácio Mesquita de Azevedo Harts Restum, e tem como denunciantes Ronaldo Alves Perão e Juliana Alves Perão.
De acordo com o advogado Bruno Ribeiro, que defende Ronaldo Alves Perão, o objetivo é entrar com recurso de sentido estrito direcionado ao TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) para analisar se o julgamento se encaixa em júri popular.
SeguirAlém de sustentar que o homem não teve participação na morte da adolescente, a defesa alega que os policiais mexeram no celular do acusado antes de encaminhar ao IGP (Instituto Geral de Perícia) para perícia.
Por conta disso, os advogados Bruno Ribeiro e Diego Rossi entraram com pedido para que as provas coletadas sejam declaradas nulas por “quebra de cadeia de custódia”.
“No entender da defesa, há macula existente na cadeia de custódia para a prova apreendida (aparelho celular), sendo que a autoridade policial violou a integridade da prova antes de encaminha-la para a autoridade técnico-científica responsável”, descreveu o advogado.
A data definida para o júri popular ainda não foi definida porque ainda cabe recurso por parte da defesa dos acusados.
Em contato com a reportagem do ND+, a PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) afirmou que desconhece a informação.
O advogado responsável pela defesa de Juliana Alves Perão, Jayson Moreira, também afirmou que vai recorrer da decisão de levar a júri popular.
Relembre o caso
O corpo de Ana Kemilli foi localizado no dia 10 de fevereiro, após dois dias de buscas, amarrado em uma árvore em uma área de mata no interior de Campo Belo do Sul, município localizado na Serra de Santa Catarina.
O caso comoveu a cidade e mobilizou forças de seguranças. Agentes do CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina), por exemplo, chegaram a percorrer cerca de 12 km na mata fechada e densa em busca da menina, na época. Porém, após pausa na procura no fim da tarde, o corpo foi localizado por moradores da região.
Um menino de 15 anos confessou a autoria do crime na mesma semana. Porém, a Polícia Civil suspeitava que ele não teria agido sozinho e, por esse motivo, a investigação seguiu e chegou ao fato da participação dos dois irmão, Juliana e Ronaldo Alves Perão.
Juliana Alves Perão é acusada por ter ajudado na concretização do crime e responde em liberdade. Enquanto isso, Ronaldo Alves Perão, que foi acusado pelo crime de feminicidio, está preso preventivamente no presídio masculino de Lages, também na Serra catarinense.
O adolescente, que confessou o crime, também responde por participação na execução da morte de Ana Kemilli e recebeu a medida socioeducativa mais rígida prevista no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).