Uma adolescente de apenas 17 anos desapareceu em Palhoça, na Grande Florianópolis, no dia 30 de maio. Apenas dois dias antes de desaparecer, no dia 28, Gabrielly Giovana Schneider havia se separado de seu companheiro e saído de casa.
Gabrielly está desaparecida desde o dia 30 de maio, dois dias depois de se separar do namorado – Foto: Acervo Pessoal/Divulgação/NDVânia, a mãe de Gabrielly, conta que a filha, natural do Rio Grande do Sul, morava em Santa Catarina há um ano e meio quando desapareceu. A mãe relata que em Garopaba, no Litoral Sul, Gabrielly conheceu seu futuro companheiro e acabou se mudando para morar junto com ele.
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No final de 2018, pouco tempo depois de ter se mudado para Garopaba para viver com o companheiro, a mãe de Gabrielly recebeu uma ligação de suas irmãs, que também moravam em Garopaba.
SeguirAs mulheres contaram para Vânia que sua filha não estava bem e após um surto psicótico, havia sido internada em uma clínica psiquiátrica. Ciente da situação, a mãe da adolescente se deslocou até Santa Catarina e buscou sua filha na Colônia Santana, um instituto psiquiátrico localizado em São José.
Volta para o Rio Grande do Sul e fuga para Santa Catarina
Depois de buscar sua filha na clínica psiquiátrica, Vânia levou Gabrielly de volta para Porto Alegre. Mas, no dia 28 de dezembro, a adolescente fugiu de casa e acabou voltando para Santa Catarina.
De acordo com sua mãe, Gabrielly foi para Garopaba, atrás de seu companheiro, e depois disso os dois foram morar em Palhoça, na Praia de Fora. O casal se mudou para a nova casa no dia 5 de janeiro.
Vânia ainda relata que ela e a filha estavam sempre em contato, se falando diariamente. Gabrielly costuma dizer para a mãe que estava bem, estava estudando e que estava feliz. Exceto nos dias de pagamento do aluguel.
A jovem adolescente relatava para a mãe que sempre que chegava o dia de pagar o aluguel, seu companheiro se irritava e a tratava mal. “A Gabrielly me dizia que o companheiro reclamava que não aguentava pagar o aluguel sozinho e queria entregar a casa. Eu falava para ela não dar bola e fazer os serviços de manicure dela, para ajudar como podia. Falava que casamento não é fácil e tem altos e baixos mesmo, mas se ela quisesse eu iria para Palhoça buscá-la. Ela respondia que não queria voltar”, relata Vânia.
Expulsão de casa e desaparecimento
No dia 27 de maio, Gabrielly enviou áudios para sua mãe dizendo que seu companheiro disse para ela juntar todas as suas coisas e sair de casa porque ele não a queria mais no local. Disse que iria entregar a casa e que a jovem deveria voltar para sua família.
Neste momento, Gabrielly se abrigou na casa de um amigo do casal, no dia 28, e foi ameaçada pelo companheiro. A mãe da jovem relata que o companheiro da sua filha foi até a casa do amigo do casal para dizer que ela não poderia ficar lá.
Vânia orientou sua filha a registrar as ameaças do companheiro na delegacia, mas Gabrielly não o fez.
Dois dias depois, em 30 de maio, foi a última vez que Vânia falou com sua filha. Ela conta que a filha estava desesperada e pedia ajuda. Pouco depois de falar pela última vez com Gabrielly, a mãe da jovem recebeu uma ligação da mãe do companheiro da filha.
“Ela me ligou e disse que eu tinha que ir para Palhoça, porque tinha medo que eu não encontrasse mais minha filha. Ela disse que minha filha estava quebrando toda a casa e estava em surto psicótico”, conta a mãe da jovem.
Vânia também relata que pediu que socorressem sua filha antes que se machucasse, mas lhe disseram que era ela quem deveria socorrer a própria filha.
Logo depois de desligar o telefone a mãe partiu para Santa Catarina. Chegou em Palhoça no dia 31 de maio às 6h20, apenas um dia depois de ter falado com a filha pela última vez. Deste então, Vânia não teve mais notícias de Gabrielly e suas redes sociais, como Whatsapp e Facebook, foram desativadas.
Falsa aparição de Gabrielly
Desde o sumiço da jovem, a família já deu queixa na polícia, procurou em hospitais, hospitais psiquiátricos, no IML (Instituto Médico Legal), mas não obteve sucesso. Uma perícia policial também foi feita no local em que Gabrielly estava morando antes de desaparecer, mas sem grandes conclusões.
Vânia também relata que andando pela região em que a filha morava, as pessoas falavam sobre uma aparição de Gabrielly, pensando que a adolescente havia sido encontrada.
“As pessoas me falavam que minha filha já havia sido encontrada, era o que a mãe do companheiro dela dizia para os outros. Até uma mulher do posto de saúde da região me disse que conhecia a minha filha e havia fotos dizendo que ela havia desaparecido, mas que foram retiradas quando a mãe do companheiro dela falou que já havia sido encontrada”, disse a mãe.
Correntinha no pescoço
Além dos relatos de que a mãe do companheiro dizia que Gabrielly havia sido encontrada, outra coisa deixa Vânia bastante intrigada.
No dia 29 de maio, apenas um dia antes de desaparecer, Gabrielly havia mandado uma foto para sua mãe usando uma correntinha que havia comprado. Segundo Vânia, a mesma correntinha estava sendo usada pelo companheiro da filha quando prestou depoimento na delegacia.
“Se eles estavam separados desde o dia 28 e ela tirou uma foto usando a corrente no dia 29, como o companheiro estava usando a corrente depois que ela sumiu, no dia 30?”, indagou a mãe.
Investigações
A equipe do ND+ entrou em contato com a Delegacia de Pessoas Desaparecidas e com a delegada responsável pela investigação, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
A DPcami (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) informou a reportagem da RICTV que estava investigando o caso, mas com a atenção dividida com outra ocorrência, da garota encontrada em um cativeiro na Guarda do Embaú. Agora irão concentrar maiores esforços no caso de Gabrielly.
Contraponto
Os advogados de defesa do ex-companheiro de Gabrielly, Gustavo Ortega Stonis e Gustavo Goedert entraram em contato com o ND afirmando que aguardam o fim das investigações para que o caso seja solucionado.
Afirmam que o combinado entre a adolescente e seu ex-companheiro era que após o término do relacionamento, ela permaneceria na casa do amigo do casal até o dia 31 de maio, data em que seus familiares iriam lhe buscar para retornar ao Rio Grande do Sul.
Também afirmam que causa estranheza a negligência de sua genitora ao deixar a filha, com problemas psicológicos (relatados pela mãe na própria reportagem) e menor de idade tão longe de seus cuidados.
Destacam também que desde o início da investigação o ex-companheiro, o amigo do casal e suas respectivas famílias se colocaram inteiramente a disposição da justiça e contribuíram irrestritamente com as autoridades policiais, entregando-lhes tudo que fora requerido para o deslinde do caso.
Ainda questionam o rumo tomado pelas investigações desde o início, tratando o desaparecimento como homicídio, buscando-se mais um culpado pelo crime inexistente do que a própria adolescente desaparecida, situação que causa repulsa, uma vez que não há um resquício de indício de materialidade de um suposto delito de homicídio, tampouco de autoria delitiva.
Reclamam também que o inquérito policial perdura por quase seis meses, no qual muitas vezes houveram obstáculos à defesa criados pela autoridade policial, negando acesso ao próprio inquérito policial. Citam, por exemplo, apreensão dos celulares do ex-companheiro e de sua mãe que já ultrapassaram o limite temporal determinado pelo Judiciário.