Depois de seis dias de desespero, Agostinho Boso e sua família podem, enfim, estar juntos e se recuperar dos momentos de agonia que viveram. O guincheiro de 65 anos desapareceu no dia 24 de dezembro, em Joinville, e só foi encontrado seis dias depois, em um sítio localizado em Guaratuba, no Paraná.
Agostinho Boso havia desaparecido no dia 24 de dezembro – Foto: Arquivo pessoal/NDOs momentos de agonia começaram na manhã da véspera de Natal. Era por volta das 11 horas quando André Vagner Boso, filho de Agostinho, recebeu uma ligação da mãe dizendo que havia algum problema com o pai. “Ligou para ela um rapaz dizendo que o caminhão estava atravessado na rua e estava atrapalhando a comunidade”, relembra.
Assim que soube do abandono do caminhão do pai, André foi até o bairro Petrópolis, onde estava o veículo, e procurou informações sobre o que havia acontecido. No local, uma pessoa disse que o caminhão veio em alta velocidade, que pessoas o atravessaram na rua e depois saíram correndo.
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André Bozo encontrou o caminhão do pai após uma ligação – Foto: Ricardo Alves/NDTVAli, a agonia de André e de toda a família começava. Sem saber o que fazer, ele começou a procurar pelo pai na região e até mesmo dentro da mata. Depois de meia hora sem encontrá-lo, ligou para a polícia e informou o desaparecimento de Agostinho. “Relatei toda a situação, falei que ele não era de beber, que havia saído para fazer o trabalho dele e não apareceu mais nem havia dado notícias”, conta.
Desaparecimento vira sequestro
O caso, até então, era tratado como desaparecimento. Mas isso mudou quatro dias depois, quando a família recebeu uma ligação com origem do próprio celular do idoso. “Era a ligação de um meliante pedindo um resgate pela vida do meu pai. Isso foi muito forte pra mim, eu tive que me controlar”, destaca André. Os criminosos queriam R$ 200 mil para libertar Agostinho.
A partir daí, o trabalho da Polícia Civil ganhou um novo rumo. Com base na ligação, eles conseguiram rastrear um possível suspeito. Na ação para detê-lo, realizada na terça (29), um policial foi alvejado por estilhaços e o criminoso, de 30 anos, também foi atingido. Os dois já tiveram alta e o suspeito deve responder por extorsão mediante sequestro e tentativa de homicídio, já que atirou contra um policial e tentou atropelar outros dois.
As diligências continuaram e, na madrugada de quarta-feira (30), a Polícia Civil conseguiu identificar um possível cativeiro em Guaratuba. “Os policiais se deslocaram ainda na madrugada para a zona rural do município. Quando amanheceu, ingressaram na residência e, felizmente, localizaram seu Agostinho”, conta Rafaello Ross, delegado responsável pelo caso.
Sítio em que o idoso foi encontrado em Guaratuba – Foto: Divulgação/ND“Ele estava caído num dos quartos, bem debilitado e confuso, mas conseguiu nos passar informações e foi resgatado”, diz Ross. Não havia ninguém além de Agostinho no local. Segundo o delegado, o idoso sofreu violência enquanto esteve preso. “Ele foi espancado por diversas vezes, recebeu alimentação e água apenas nos dois primeiros dias de cativeiro, levou dois tiros em sua direção, um deles pegou de raspão, tudo isso como forma de intimidação, violência e agressão”, destaca.
Agostinho foi resgatado e segue internado no Hospital São José, onde se recupera do quadro de desidratação que gerou, inclusive, problemas renais. “Psicologicamente, ele está abalado, mas lúcido e consciente”, afirma o delegado.
A emoção do reencontro
Filho de Agostinho, André Boso relembra os momentos de agonia durante os seis dias em que o pai esteve sequestrado. “Foi bem pesado, um momento ruim e triste. Mesmo com otimismo, eu sempre temia”, conta.
A boa notícia chegou na manhã do dia 30, quando a família soube pela polícia que o idoso havia sido encontrado e, melhor do que isso, estava vivo e bem. “Isso foi como uma vitória. O meu pai está fazendo um novo aniversário e nós da família também. Foi uma imensa alegria receber essa notícia”, relembra.
Mas os momentos de alegria não pararam por ali. Internado, Agostinho só pôde receber visitas horas depois de ser resgatado. O momento foi registrado com exclusividade pelo Grupo ND e, é claro, emocionou toda a família. “Foi um sentimento inexplicável. É um misto de felicidade e tristeza por terem feito isso com ele. A gente explodiu de alegria vendo ele ali, debilitado, mas vivo. Não tem explicação tamanha felicidade”, diz André.
Agostinho pôde se reencontrar com a família em um momento marcado por muita emoção – Foto: Ricardo Alves/NDTVInvestigações continuam com novos suspeitos identificados
As diligências da Polícia Civil continuaram após o resgate de Agostinho. Agora, os policiais querem encontrar todos os envolvidos no crime e já identificaram outros dois suspeitos. “Logo após o resgate, continuamos em campo com o apoio da Polícia Científica do Paraná, que fez as primeiras perícias no local. Com isso, angariamos informações que nos possibilitaram identificar outros dois suspeitos”, afirma Rafaello Ross.
Os dois homens teriam participado tanto da emboscada para pegar a vítima quanto da ação no cativeiro. A prisão temporária dos dois já foi decretada e a polícia faz buscas para encontrar os suspeitos, que são considerados foragidos da justiça.
Vida nova para Agostinho
Ainda internado no Hospital São José, Agostinho fez um vídeo agradecendo à Polícia Civil e a todos que ajudaram a procurá-lo com os votos de um bom 2021, ano que ficará marcado como um novo começo para toda a família Boso.
*Com informações de Juliana Hexsel, repórter da NDTV Joinville