‘Agoniada e sem notícias’: moradora de Florianópolis aguarda voo de retorno em Israel

Bruna tem rotina marcada pelo som das bombas e notificações de cuidado no celular; governo brasileiro afirmou que repatriará todos os brasileiros que desejarem retorno

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi Florianópolis

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Moradora do Centro de Florianópolis, Bruna Póvoas Rizzieri de Luca está entre os 2,7 mil brasileiros que tentam retornar ao Brasil após o início da guerra no último sábado (7) entre Israel e Hamas. “Estou agoniada, sem notícias e sem ideia de quando vou voltar”, desabafa a personal trainer.

O governo federal estima repatriar 900 brasileiros até sábado (14), que devem vir ao país em seis voos da Força Aérea Brasileira. Até esta quarta-feira (11), quase três mil manifestaram interesse em voltar ao Brasil. Os primeiros 211 chegaram nesta terça-feira.

Moradora de Florianópolis está em IsraelBruna de Luca aguarda voo para retorno ao Brasil – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Bruna cadastrou seu telefone na lista da embaixada. Esta é responsável por, diariamente, fechar as listas de brasileiros que irão retornar ao país no voo marcado para o dia seguinte, realizada com aviões da FAB (Força Aérea Brasileira).

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“Como ninguém me ligou hoje, significa que não viajarei amanhã. Me orientaram até a comprar passagem [de avião particular], é desanimador”, conta. O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que o governo federal repatriará todos os brasileiros que desejaram sair da zona da guerra.

De Luca está há um mês em Israel, onde realiza trabalho voluntário. Quando os primeiros ataques ocorreram, a personal tinha recém-chegado de uma festa da capital Tel Aviv. Os berros dos hóspedes a levaram até a recepção do hostel onde está hospedada. Foi quando caiu a ficha: estava presenciando o início de uma guerra.

Sirenes, bombas e ‘isolamento’

Apesar dos 90 km que separam o bairro árabe de Jafa, na região Sul de Tel Aviv, e a Faixa de Gaza, De Luca consegue ouvir as bombas lançadas no território palestino. A distância é a mesma entre Florianópolis e Balneário Camboriú, a título de exemplo.

O vídeo abaixo mostra o momento em que o grupo escuta um dos estouros, que se tornaram rotina. Uma das hóspedes berra assustada com o som da explosão.

– Vídeo: Arquivo Pessoal/ND

Desde o início dos ataques, a personal trainer apenas botou os pés na rua para deixar o lixo. “A noite de sábado foi a pior pois caiu uma bomba aqui perto”, lembra. Quando isso ocorre, a sirene do bairro é acionada e todos correm para debaixo da escada. Cerca de 50 pessoas estão hospedadas no mesmo hostel.

Durante a conversa realizada na tarde desta quarta-feira eram constantes as interrupções no celular de De Luca devido aos avisos sonoros do aplicativo que notifica o lançamento de bombas no território.

O plano de Bruna era ficar em Israel até o visto expirar. Depois, planejava conhecer Jordânia e Marrocos, planejando retornar para Florianópolis apenas em meados de dezembro. “Agora não sei nem onde estarei ou quando voltarei”.

Hóspedes do bunker se abrigam abaixo da escada quando sirene toca – Foto: Arquivo Pessoal/NDHóspedes do bunker se abrigam abaixo da escada quando sirene toca – Foto: Arquivo Pessoal/ND