A atuação dos policiais militares filmados agredindo pessoas em uma confraternização em Guabiruba, no Médio Vale do Itajaí, será investigada em um Inquérito Policial Militar. A informação é do tenente-coronel Otávio Manoel Ferreira Filho, comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar de Brusque, ao qual pertence o grupamento de Guabiruba. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra dois policiais militares agredindo pessoas que estariam reunidas em uma chácara na noite de sábado (1º).
Policiais militares agridem pessoas em confraternização em Guabiruba, no Médio Vale do Itajaí – Foto: Reprodução/FacebookSegundo a PM, a abordagem ocorreu no bairro Holstein, após uma denúncia de perturbação por barulho. No vídeo é possível ver sete homens, que estão com braços cruzados e cabeça baixa, em um local que parece ser a área externa de uma casa.
Logo no início é possível ouvir que alguém fala “covardia”. Na sequência se escuta “Que que foi? Quem falou que é covardia?”, e o primeiro policial aparece no vídeo. Ele segue questionando quem teria dito a palavra e em seguida aplica um soco na barriga de um dos homens.
SeguirUm segundo policial armado aparece no vídeo e ambos seguem questionando os abordados. Ele se dirige a um homem, que não está enquadrado no vídeo, pergunta “Foi tu?” e o golpeia com a arma. “Fala guerreiro!”, continua o PM.
No final do vídeo, que tem cerca de um minuto, é possível ouvir uma pessoa chorando e outra tentando ampará-la.
Assista o vídeo completo:
Perturbação, aglomeração e agressões
O comandante do 18º BPM informa que a PM foi ao local para verificar uma denúncia por conta de barulho. “Aquela chácara já é conhecida por ter muitas festas dessa natureza, principalmente durante a pandemia. A PM foi acionada pelos vizinhos para verificar uma ocorrência de perturbação do sossego alheio”.
O comandante diz que, em conversa preliminar com os três policiais envolvidos, eles afirmaram que havia cerca de 25 pessoas na chácara quando a guarnição chegou. Durante a ocorrência foi encontrada uma pequena quantidade de maconha no local.
Ferreira afirma que os policiais estavam cumprindo sua função de averiguar as infrações e que “não se pode esquecer do contexto”. “Primeiro, eu gosto de frisar e reforçar que a PM foi chamada para verificar a ocorrência de uma festa proibida por decreto e que não poderia estar ocorrendo. Foi observado um suposto excesso de energia do policial, mas a PM não teria ido ali se não estivesse ocorrendo uma festa proibida, com uso de entorpecentes e perturbação do sossego alheio”, destaca.
A ação dos policiais será alvo de um inquérito solicitado pelo promotor Wilson Paulo Mendonça Neto, titular da 5ª Promotoria de Justiça da Capital, que atua na área criminal. O comandante Ferreira afirma que já foi informado da abertura do procedimento.
Agressão de PMs a pessoas reunidas em festa em Guabiruba será apurada – Foto: Reprodução/Facebook“Como há um aparente abuso da autoridade no atendimento da ocorrência, a lógica é que se abra o procedimento. Como pode caracterizar um crime, o Ministério Público Militar mandou uma orientação ou uma determinação, ainda não vi o documento, para que se abra o procedimento”, afirmou o comandante.
Mesmo assim, ele afirma que os policiais vão continuar prestando serviço normalmente. “Não vejo motivo para o afastamento, como comandante do batalhão. Guabiruba tem um efetivo mínimo e a informação que eu tenho do sargento que comanda o grupo em Guabiruba é de que os três são policiais que prestam um serviço muito bom, sem histórico de problemas, pelo contrário. Então não vejo motivo para o afastamento, a não ser que seja determinado pelo comando-geral”.
Ainda segundo o comandante, a ocorrência em Guabiruba terminou com o registro de um termo circunstanciado por posse de entorpecente de autor não identificado – já que ninguém no local teria assumido a propriedade da droga que estaria numa mesa -, perturbação do sossego alheio e aglomeração de pessoas.