Detalhes do crime que resultou na morte de Mauriceia Estraich, de 22 anos, foram informados pela Polícia Civil, durante coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (30). A jovem foi achada carbonizada no dia 28 de março na casa em que morava com o companheiro, na cidade de Descanso, no Extremo-Oeste de Santa Catarina.
Jovem foi encontrada morta dentro de casa – Foto: Marcos de Lima/Portal Peperi/Montagem/NDO principal suspeito era o cunhado de Mauriceia, um jovem de 24 anos, que confessou o crime. “Ele confessou, parcialmente, a prática do crime mediante a presença de um advogado”, disse o delegado responsável pela investigação, Cléverson Luis Müller.
Conforme o delegado, o jovem disse que sabia que Mauriceia estava sozinha em casa no dia do crime e decidiu ir até lá. “Bateu na porta, foi atendido por ela e a segurou com as mãos no pescoço, evitando que ela gritasse. Na sequência, aplicou dois golpes ‘mata-leão’, o que fez com que ela caísse ao chão”, relatou.
SeguirMüller informou que o suspeito disse que acreditou que a cunhada já estivesse morta e ateou fogo nela e na casa. Ele ainda teria alegado que estava sob efeito de drogas. “Ele não definiu nenhum motivo para a prática, não soube explicar a razão que o motivou a fazer aquilo”.
Porém, as investigações apontaram que a principal motivação do crime foi o fato do cunhado de Mauriceia ter ficado sem lugar para morar. “A família do companheiro dela iria morar por um período na casa do casal, mas Mauriceia não aceitou que o cunhado fosse porque em outros momentos teria ‘dado em cima’ dela. Esse motivo fútil que resultou na morte dela”, relatou o delegado.
Gasolina deu início ao incêndio
A investigação identificou que o incêndio começou às 5h54 da manhã do domingo, dia 28 de março, e que o cunhado de Mauriceia teve condições de chegar na casa 20 minutos antes.
A perícia feita na casa revelou que o foco inicial do incêndio foi justamente o local em que Mauriceia foi encontrada morta, próximo a uma porta de acesso à garagem.
“Exames laboratoriais demonstraram e comprovaram que foi usado gasolina. O suspeito não confirmou o uso do combustível, mas acreditamos que essa versão busca apenas o afastamento de algumas qualificadoras do crime”, reforçou o delegado.
Polícia Civil realizou perícia no local. – Foto: Marcos de Lima Portal PeperiVizinhos não escutaram gritos ou pedidos de socorro e o jovem teria utilizado de dissimulação para que ela abrisse a porta sem causar barulho. “Em razão do seu porte físico e sua rápida ação, ele também utilizou do recurso que dificultou a defesa dela. Por fim, pelo grau de parentesco foi indiciado pelo feminicídio, com a qualificadora pelo uso do fogo”, pontuou o delegado.
O companheiro de Mauriceia, conforme a investigação, não teve nenhuma participação no crime. Ele estava com o irmão antes da morte dela, por isso o suspeito sabia que a vítima estaria sozinha em casa.
Sangue próximo à casa
O delegado informou que próximo à casa da vítima foi encontrada uma trilha de sangue humano e, ao fim dela, um cabo de faca com vestígios de sangue. O cunhado de Mauriceia apresentou ferimento na mão direita, semelhante a um corte feito por faca, mas alegou que a lesão ocorreu no momento em que ele tentou tirar o carro do local.
“O Instituto de Análises Forenses do IGP ainda não encaminhou a comparação genética do sangue encontrado. Por isso, não sabemos se pertence à Mauriceia, ao indiciado ou a outra pessoa, mas pelas circunstâncias acreditamos que tenha relação com o contexto do crime”, disse.
Müller salientou que, em decorrência do elevado estágio de carbonização, não foi possível identificar outras marcas no corpo. “Não descartamos, mas as provas não trazem elementos suficientes para outros detalhes. Não temos como afirmar se houve tentativa de abuso sexual ou uso da faca”, acrescentou.
Inquérito finalizado
O inquérito policial foi finalizado com 375 páginas, 31 depoimentos, 13 ofícios expedidos, nove laudos periciais, dos quais cinco foram solicitados esclarecimentos aos peritos. Além disso, conta com sete relatórios e quatro representações ao Poder Judiciário. Ele será encaminhado ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e, depois, ao Poder Judiciário.
“Não iremos atribuir culpa a alguém, a qual será somente imputada na fase judicial em caso de condenação. Não estamos inclinados nem na acusação e nem da defesa. Nosso papel é apurar a verdade”, disse o delegado.
Cunhado segue preso
Conforme o delegado, o cunhado deu afirmações controversas durante seu primeiro depoimento, o que chamou a atenção da investigação. Ainda no dia do crime ele foi detido por falso testemunho e no dia 29, foi preso preventivamente por suspeita de participação na morte da jovem. Ele segue preso até a conclusão de todo o processo.
Assista a coletiva na íntegra:
Coletiva Mauriceia
Posted by Polícia Civil – 13ª DRP – São Miguel do Oeste on Wednesday, June 30, 2021