Celular da mãe de criança desaparecida leva polícia a outros 2 suspeitos de crime

Aparelho foi entregue na sexta-feira para a investigação e mudou o rumo das investigações; informações foram detalhadas em coletiva da SSP-SC nesta terça (9)

Foto de Ana Schoeller e Gabriela Ferrarez

Ana Schoeller e Gabriela Ferrarez Florianópolis

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A quebra de sigilo do celular da mãe da criança de dois anos que estava desaparecida há nove dias em Santa Catarina foi o que ajudou a polícia a rastrear o carro e prender a dupla que estava com o menino em São Paulo. As informações são da coletiva de imprensa da SSP-SC (Secretaria de Estado da Segurança Pública) que acontece na tarde desta terça-feira (9), em Florianópolis.

Menino de 2 anos teria sido entregue a aliciador – Foto: Reprodução/ND

A Polícia Militar de São Paulo abordou o carro onde estava a criança e a dupla que o transportava. Segundo a secretaria, a criança ainda está sob a jurisdição da cidade de Tatuapé. De acordo com Ulisses Gabriel delegado-geral da PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) a avó materna ficará com a guarda da criança.

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Conforme Paulo Cezar de Oliveira secretário de Segurança Pública, providências estão sendo tomadas para que ele volte à Santa Catarina.

“Infelizmente Nicolas ainda não retornou para a casa. Mas podemos assegurar que ele se encontra em local seguro.”

“A criança está extremamente fragilizada. Se isso é difícil para nós adultos, imagina para uma criança que teve que ouvir vozes diferentes, mudar sua rotina de sono e seus hábitos alimentares”, completou.

Andressa Fronza que é Perita-Geral da Polícia Científica do Estado afirmou que foram necessários 2h30 para desbloquear o celular da mãe da criança e ter acesso às conversas.

Oliveira afirmou que foi a partir da quebra do sigilo que a investigação mudou a direção.

“As investigações é que houve uma “virada de mesa” nesse caso. No começo pensamos ser um sequestro, e depois tudo mudou”, disse Oliveira.

Polícia investiga se mãe foi paga para entregar criança, jovem nega

Conforme Sandra Mara delegada responsável pelo caso, a investigação irá apurar se a mãe, de 22 anos, foi paga para entregar a criança para a dupla. Ainda segundo a delegada, a jovem nega ter tido qualquer vantagem financeira.

“A mãe foi convencida por conta da fragilidade dela. Ela ficou grávida muito jovem, ela não tem emprego. A fragilidade psicológica dela dificulta ela achar um trabalho.”, disse Sandra.

A delegada disse que a criança é registrada apenas no nome da mãe. No entanto, a polícia chegou a realizar buscas na casa de um possível pai do menino e não encontrou nenhum vestígio.

Com medo, dupla aliciadora teria tentando ‘legalizar’ adoção da criança

O delegado Ulisses afirmou que o homem e a mulher encontrados, junto com o menino, não são um casal. Segundo ele, um seria o aliciador e a outra, e pessoa que iria adotar.

“Ele teria ficado preocupado com a repercussão, falado com o fórum de Tatuapé para apresentar a criança, e então a polícia interceptou eles”, disse o delegado-geral da PCSC.

“A mãe disse que conheceu os envolvidos por intermédio de um grupo de ajuda nas redes sociais e a partir disso foi induzida a fazer a entrega”, completou.

O secretário de Segurança Pública explica que a partir de agora a polícia irá apurar a existência de uma rede de tráfico de crianças por trás do caso.

Após a criança ter sido encontrada, o ND+ não irá divulgar o rosto e o nome do menino para preservar a identidade dele, em respeito ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).