Após cárcere, família de BC passa por avaliação psicológica

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Balneário Camboriú. As vítimas foram encontradas pela Guarda Municipal em uma quitinete

Kassia Salles Itajaí

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A família resgatada de cárcere privado pela Guarda Municipal de Balneário Camboriú passou por uma avaliação psicológica na DPCami (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso) da cidade. A Polícia Civil segue investigando o caso.

A mulher de 21 anos e seus filhos, um bebê de sete meses e uma criança de dois anos, estariam sendo mantidos em uma quitinete. O suspeito é o ex-marido da vítima. 

A avaliação psicológica é uma parte da investigação policial, que pode identificar os danos causados pelo crime nas vítimas. Segundo a psicóloga da Polícia Civil de Santa Catarina, Maíra Gomes, é difícil falar de modo geral sobre o impacto que uma situação como essa pode causar no psicológico das vítimas. No entanto, há características gerais que podem ajudar a entender esse impacto. 

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Maíra explica que podem haver pessoas que não desenvolvem trauma algum. Isso depende de fatores externos e internos, subjetivos de cada indivíduo. Por outro lado, há pessoas que podem desenvolver alterações no comportamento, manifestações psicológicas ou até físicas, como gastrites, dermatites, queda de cabelo, ou ainda alterações no sono, dificuldade de relacionamentos, entre outras características. 

A presença ou não de traumas nas vítimas depende ainda das redes nas quais essas pessoas estão inseridas, seja a família ou até a comunidade. 

Primeiro ano de vida é fundamental no desenvolvimento

Uma das vítimas era um bebê de apenas sete meses. Segundo a psicóloga, mesmo tão novo, é possível que marcas do que aconteceu possam se mostrar no futuro. “A mente humana sofre influências desde que nascemos. O desenvolvimento mental é impressionante neste primeiro ano”, explica. 

Novamente, fatores internos e externos influenciam. Como outras pessoas falam do ocorrido ou de situações similares, o que a pessoa vai presenciar no futuro. “Tudo isso vai formar uma ‘sopa’, a partir da qual ela vai ter uma compreensão do que aconteceu”, conclui. 

Síndrome de Estocolmo 

A psicóloga ainda cita a Síndrome de Estocolmo, um mecanismo de defesa na qual a vítima acaba desenvolvendo afeto pela pessoa que a está mantendo em cárcere. Nesses casos, a pessoa acaba criando uma história para o sujeito. “É uma maneira de não enlouquecer ou entrar em desespero”, explica. 

No entanto, essa síndrome só é desenvolvida em casos em que a vítima não tinha um relacionamento prévio com a pessoa.

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