O que era para ser apenas mais uma tarde de brincadeiras para uma criança, de 10 anos, em Três Barras, no Planalto Norte de Santa Catarina, se transformou em um momento difícil para o menino e sua família, no último dia 17 de maio.
Criança sofreu queimaduras de 3º grau nas pernas e em uma das mão – Foto: Acervo pessoal/Reprodução/NDO garoto, filho da professora Sabrina Cornelsen, saiu para brincar com os amigos em uma área próxima de onde mora com os pais. Pouco tempo depois, voltou para casa amparado por outra criança, com queimaduras nas pernas.
A criança teve contato com um produto químico depositado no terreno onde brincava com amigos. O material, similar ao calcário, seria de origem da Mili S.A., empresa produtora de papel que atua na região. A própria empresa, em nota, assume que o produto saiu da fábrica, porém seria “encaminhado para agricultores da região regularmente há mais de uma década e eles o utilizam na correção de acidez do solo”.
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De acordo com empresa, terreno onde material estava depositado pertenceria a terceiros – Foto: Acervo pessoal/Reprodução/NDApós um vai e vem entre unidades de saúde de Três Barras e Canoinhas, o garoto foi levado para Joinville pelos pais e, por conta da gravidade dos ferimentos, transferido a um hospital de Florianópolis, onde chegou por volta das 18h30 do dia 21 de maio.
“Foi uma noite muito triste, porque nesse momento nem a morfina parava a sua dor”, afirma Sabrina Cornelsen. O filho de Sabrina sofreu queimaduras de 3º grau e, na última quarta-feira (24), precisou passar por uma cirurgia de mais de cinco horas, para realizar um enxerto de pele. “De doer o coração ver nosso menino passar tanta dor”, comenta a mãe.
Neste sábado, o garoto fez o primeiro curativo após a cirurgia. O procedimento foi realizado na sala cirúrgica, e a criança permaneceu sedada durante o processo.
Segundo Sabrina, um Boletim de Ocorrência foi registrado sobre o caso.
O que diz a empresa
A reportagem do Portal ND+ entrou em contato com a assessoria de imprensa da Mili S.A. Apesar de confirmar a origem do produto, a empresa não explicou de quem seria a responsabilidade pelo transporte e despejo do material no terreno onde a criança sofreu os ferimentos. Segundo a Mili S.A., o terreno onde o material estava depositado pertence a terceiros. Confira a íntegra da nota encaminhada pela assessoria:
“Nota oficial
Em referência [ao] acidente relatado no dia 17 de maio, a companhia se solidariza com o ocorrido e tão logo tomou conhecimento dos fatos, em uma propriedade de terceiros, ofereceu apoio solidário à família do menor.
O produto, similar ao calcário inclusive na aparência, é encaminhado para agricultores da região regularmente há mais de uma década e eles o utilizam na correção de acidez do solo.
O emprego deste produto na agricultura foi estudado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), aprovado pelo Ministério da Agricultura e não há indicação de condições perigosas ao manuseio.
Independentemente disso, a companhia passará alertar os agricultores sobre o ocorrido”.