Após morte de cachorro, homem é o primeiro preso por nova lei de maus-tratos em Joinville

O cachorro estava desnutrido, desidratado e morreu antes mesmo de a equipe do Centro de Bem-Estar Animal chegar ao local

Juliane Guerreiro Joinville

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Um ano após a criação da nova legislação que aumenta a pena para quem cometer maus-tratos contra animais, a primeira prisão relativa a esse crime foi registrada em Joinville, no Norte de Santa Catarina.

O caso aconteceu na tarde de domingo (3), no bairro Paranaguamirim, onde um homem de 65 anos foi preso por maltratar um cão. Segundo o soldado André Felipe Bachtold, que realizou a prisão, a Polícia Militar foi acionada por vizinhas da casa onde o homem mora de aluguel.

“Elas informaram que a situação vinha acontecendo há uns dois meses, que o cachorro vinha adoecendo, ficando magro e que tentavam falar com o vizinho, que nunca quis prestar apoio ao animal”, conta.

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Homem foi preso por maus-tratos a cachorro em Joinville – Foto: Frada/ReproduçãoHomem foi preso por maus-tratos a cachorro em Joinville – Foto: Frada/Reprodução

As vizinhas, inclusive, teriam se disponibilizado a ajudar, mas o homem não aceitou e ressaltava que a ação ficaria impune. Como represália, ele ainda urinou e jogou lixo em frente ao estabelecimento comercial das testemunhas.

No domingo, o animal já não conseguia mais ficar em pé. “As costelas estavam aparentes, o vão entre a costela e a bacia já estava no extremo”, diz André. O CBEA (Centro de Bem-Estar Animal) foi chamado para atender o cão, mas ele morreu antes da chegada da equipe.

“Fizemos o encaminhamento para a clínica veterinária para fazer o laudo das causas da morte, quais os graus de sofrimento que ele teve. Só de olhar, o veterinário já constatou maus tratos, desidratação e desnutrição profunda”, destaca o policial.

O homem foi levado à Central de Polícia pelo crime de maus tratos. Conforme a nova legislação, criada em setembro de 2020, a pena para o crime é de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. A pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre morte do animal, como no caso em Joinville.

Para André, que além de policial atua como protetor dos animais, a prisão é um marco. “Eu me senti com dever cumprido ao saber que essa primeira prisão por maus tratos pode trazer precedentes positivos para a sociedade joinvilense”, finaliza.

A Frada (Frente de Ação pelos Direitos Animais) considerou o dia histórico para a causa animal.

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