‘Aquaplanou’: Cenipa investiga causas e piloto fala o que pode ter acontecido com avião

Aeroporto confirmou que 66 voos foram cancelados nesta quarta-feira (12) e não há previsão para liberação da pista onde ocorreu o acidente

Daniel Hugen Florianópolis

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As causas do acidente envolvendo uma aeronave no aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, estão sendo investigadas pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Na tarde desta quarta-feira (12), técnicos estiveram no local avaliando o avião. Em entrevista ao Grupo ND, piloto diz que aeronave pode ter aquaplanado.

Lateral da pista de pousou abriu ‘buraco’ sob a roda do avião – Foto: Divulgação/NDLateral da pista de pousou abriu ‘buraco’ sob a roda do avião – Foto: Divulgação/ND

Inicialmente foram utilizadas técnicas específicas da investigação, conduzidas por técnicos qualificados para a coleta de dados, preservação de indícios e verificação de danos na estrutura do avião.

“O Cenipa tem o objetivo de investigar as ocorrências aeronáuticas, de modo a prevenir que novos acidentes com características semelhantes ocorram. A conclusão das investigações terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade de cada ocorrência e, ainda, da necessidade de descobrir os possíveis fatores contribuintes”, informou a entidade.

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Em entrevista ao Grupo ND, o comandante e piloto de aeronaves Ahmad Samir contou que há possibilidades da aeronave ter aquaplanado, fazendo com que o piloto perdesse o controle.

“Eu pude perceber que na hora do toque, quando a aeronave toca sobre a pista, a gente percebe a aeronave perde o controle lateral, ela começa a deslizar, o nariz da aeronave começa a passear pela pista ali. Esse é um sinal de que poderia ter havido um fenômeno que a gente chama de aquaplanagem”, contou Samir.

Avião derrapou na pista do Aeroporto de Florianópolis na manhã desta quarta-feira (12) – Vídeo: Divulgação/ND

Aquaplanagem é uma causa comum de acidentes entre veículos automotores em rodovias, uma vez que é a formação de uma lâmina de água na pista que impede o atrito entre o pneu e a pavimentação.

“Só quando você tem a normalização do atrito do pneu com a pista é que você vai conseguir eh recobrar o controle do avião. Então você fica alguns segundos ali sem controle do avião”, contou o piloto.

Durante as especulações das causas, foi levantada a possibilidade dos pneus do trem de pouso terem estourado com o impacto da aterrissagem, mas para o especialista a chance é baixa. O afundamento da pista pode ter ocorrido por conta do local onde foi para a aeronave, onde já não é mais considerado pista.

“Esse afundamento do pneu naquela parte do asfalto tem uma explicação muito simples. Ali aonde o pneu está afundado não é mais a pista. Já são os limites laterais da pista. A pista de pouso tem uma resistência de leitos e subleito que chamamos de PCN, suficiente para suportar o peso da aeronave. Se você sai dos limites da pista, esse PCN, essa dureza de subleito, essa resistência de pavimento, ela não é mais necessária”, finalizou Ahmad.

Por nota, a Zurich Airport Brasil, concessionária do aeroporto, confirmou que 66 voos foram impactados pelo fechamento da pista e disse que a concessionária trabalha junto a Latam e aos demais órgãos competentes para a liberação da pista o mais breve possível.

Às 12h20, a Latam informou o Recovery Team estava a caminho do aeroporto para remoção da aeronave. Foi confirmado também que na hora do acidente haviam 172 passageiros e sete tripulantes dentro do avião. Ninguém ficou ferido.

Aeronave extrapolou os limites de pista no pouso do voo que vinha de São Paulo a Florianópolis – Foto: Divulgação/NDAeronave extrapolou os limites de pista no pouso do voo que vinha de São Paulo a Florianópolis – Foto: Divulgação/ND

Passageiros e funcionários relatam momentos de tensão

Do momento da derrapagem da aeronave à chegada dos socorristas do Aeroporto Internacional de Florianópolis, na manhã desta quarta-feira (12), passou cerca de cinco minutos, afirma uma funcionária. “Estava limpando o vidro, quando vi que o avião estava quase capotando.”

Conforme o relato da mulher, que prefere não se identificar, foi tudo muito rápido. “Eu me assustei. Eu acho que nunca queria ter visto isso. Na hora me preocupei, parecia ser mais grave”, completa.

O arquiteto Luiz Alberto Câmara, de 65 anos, afirma que “estava preocupado com o ciclone, mas agora com o acidente piorou tudo”. Ele viajaria a São Paulo e faria de tudo para embarcar nesta quarta, por conta das condições do tempo. “Mesmo se liberarem a pista terá um vendával. Não sei o que fazer.”

O sentimento de impotência também é compartilhado pela passageira Juliana Targon, de 51 anos. Ela estava na Capital catarinense para comemorar o aniversário do filho, mas também voltaria para São Paulo.

Ela relata preocupação com os custos de deixar mais tempo seu carro no estacionamento do aeroporto paulista. “Vamos ter que pagar a mais para o carro ficar lá, afinal já iríamos voltar”, lamenta. “Não sabemos como vamos embora agora”.

O passageiro Maurício de Souza, de 62 anos, afirma que ia para Congonhas, mas agora está a caminho do aeroporto de Navegantes para pegar um voo para São Paulo. A decisão foi a mesma tomada por uma série de passageiros.

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