Medo, redução da movimentação no comércio, queda no turismo, suspensão de aulas, coleta de lixo com escolta de policiais e ônibus incendiados. Os ataques a pelo menos 20 cidades do Rio Grande do Norte completam uma semana nesta terça-feira (21).
O Ministério Público apura se os atos foram articulados por líderes de facção Sindicato do Crime, que atua no Estado. As informações são do R7.
Caminhão incendiado no Rio Grande do Norte – Foto: Reprodução/ YoutubeApesar da queda expressiva do número de ataques com a vinda da Força Nacional e de policiais do Ceará e da Paraíba, a população sofre com a paralisação total ou parcial dos serviços públicos, além de viver com medo e sem sair de casa. A Secretaria de Educação de Natal, por exemplo, suspendeu as aulas de 57 mil estudantes em 146 escolas da rede de ensino municipal.
SeguirAo R7, alguns moradores e comerciantes contaram como a rotina se transformou desde a onda de ataques. Um fotojornalista, que prefere não ser identificado, disse que, além dos ataques coordenados pela facção, algumas pessoas têm se aproveitado do caos para praticar crimes. Desde a última terça (14), ele está na rua acompanhando as ações incendiárias e o trabalho das forças de segurança em Parnamirim, na região metropolitana de Natal.
Para o jornalista, houve uma redução na onda de crimes nos últimos dias, porém muitos moradores ainda não estão saindo de casa pelo medo e pela falta de alguns serviços essenciais. As aulas nas escolas municipais e o atendimento das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) foram suspensos pela prefeitura, e a frota de ônibus, reduzida pela metade.
Em Parnamirim, a coleta de lixo domiciliar também está sendo realizada de forma reduzida, apenas nas principais avenidas da cidade, e com a escolta de agentes da Guarda Civil Municipal para garantir a segurança dos funcionários. Por enquanto, não há previsão de normalização.
Mossoró
O município de Mossoró, no interior do estado, também tem sofrido com as consequências dos ataques. Dono de um restaurante, Diego Araújo contou que o faturamento caiu em 40% nos últimos sete dias. Há oito anos ele gerencia o estabelecimento, que conta com música ao vivo de segunda a domingo no bairro Nova Betânia, área nobre da cidade.
“Não chegamos a fechar, pois sempre trabalhamos com segurança privada e policiais à paisana. Entretanto, a maioria dos clientes é mais velha e está com receio de sair de casa”, explica o empresário.
De acordo com o diretor da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Mossoró, Stênio Max, o turismo foi extremamente prejudicado em razão da situação de insegurança no estado. Há registro de mais de cem cancelamentos em hotéis e agências de viagem, pois muitos ônibus se recusam a circular pelas estradas e vias.
Max ainda relembra que o setor está se recuperando dos prejuízos provocados pela pandemia e pelas restrições sanitárias, e agora tem que enfrentar uma nova crise interna. “O clima é de alerta [entre os comerciantes e hoteleiros]. Muitos eventos, inclusive corporativos, foram cancelados. Esperamos voltar à normalidade o mais rápido possível”, reitera.
O gerente de um hotel em Mossoró, que também prefere não ser identificado, conta que os turistas estão com medo de visitar a cidade em razão das notícias sobre a onda de crimes. “Na semana passada, dois grupos que tinham reservado 40 apartamentos cancelaram a estadia”, exemplifica.
Investimento
Nesta segunda (20), o ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou o investimento de R$ 100 milhões no sistema de segurança do Rio Grande do Norte. Segundo o governo potiguar, R$ 20 milhões serão destinados ao aluguel e à aquisição de veículos, armamento e equipamentos para a Polícia Militar, Polícia Civil, Itep (Instituto Técnico-Científico de Perícia) e Corpo de Bombeiros Militar.
Outra medida confirmada foi a reposição dos veículos do transporte escolar danificados nas ações criminosas. “Tratei com o ministro da Educação, Camilo Santana, e ele me assegurou que todos os veículos serão repostos. Isso permite a continuidade dos serviços à população”, informou a governadora Fátima Bezerra (PT) em entrevista coletiva.
Presos
De acordo com a última atualização da Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social, nesta segunda-feira (20), 133 suspeitos foram presos e 6 adolescentes foram apreendidos. Do total, 14 eram procurados pela Justiça.
Também foram apreendidas 41 armas de fogo, 139 artefatos explosivos, 29 galões de combustíveis, 14 motos e 2 carros, além de dinheiro, drogas e munições.