Um homem foi preso e outras oito pessoas são investigadas de participarem da morte de Carlos Eduardo Martins Lima, 31 anos, advogado criminalista encontrado morto na manhã da última quarta-feira (2), em Florianópolis (SC).
O trabalho está sendo conduzido pela Delegacia de Homicídios de Florianópolis, aos cuidados do delegado Ênio de Oliveira Mattos que, ainda na quinta-feira, realizou a prisão de um homem apontado como um dos responsáveis pela morte.
Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na manhã desta sexta-feira (4), na região do bairro Rio Vermelho, Norte da Ilha, onde o crime aconteceu. Em uma residência “vestígios do crime” foram encontrados, segundo nota repassada pela polícia. No local, estiveram ainda presentes o NOC (Núcleo de Operações com Cães da Polícia Civil), além da Polícia Científica.
SeguirOutras sete pessoas estão sendo investigadas. A namorada de Carlos Eduardo prestou esclarecimentos na quinta-feira, ainda na condição de testemunha. Segundo o delegado Ênio, no entanto, a companheira “passou a ser” uma das suspeitas da morte do advogado, logo após as demais diligências.
Advogado pode ter sido vítima de uma emboscada
Com um perfil bastante “expansivo”, Carlos Eduardo sempre fez questão de ostentar suas posses e bens.
Maços de dinheiro que o advogado mostrava em vídeos na internet – Foto: Youtube/Divulgação/NDSeu perfil em uma rede social é bem marcado por depoimentos que seguem essa linha. Em um vídeo, inclusive, ele aparece exibindo maços de dinheiro que “prometia” usar nas mais variadas formas.
Essa postura, inclusive, pode ter sido determinante para que ele fosse morto.
Conforme apurado pela reportagem, ele passou a ser alvo justamente por ter muitos bens, mas também por externar isso a todo instante. A começar pelo veículo que conduzia, uma BMW 320, modelo 2021, que não sai por menos de R$ 270 mil.
Juntamente de joias, dinheiro em espécie, Carlos Eduardo portava um cartão “black”, modalidade usada por pessoas de alta renda ou determinado nível de investimento. Os limites diários para o uso podem chegar até R$ 50 mil.
Um áudio obtido pela reportagem, com exclusividade, revela um homem que supostamente tem envolvimento no crime, perguntando o quanto é possível usar no limite diário.
“Ele queria que notassem que ele tinha dinheiro. Foi o que aconteceu, notaram, ele mostrou que tinha, e acabou sendo vítima de uma espécie de emboscada”, revelou uma fonte que pediu para não ser identificada.
Aquisição de droga foi usada como “isca”
Ainda de acordo com o que foi apurado pela reportagem, o advogado foi atraído a partir de uma negociação envolvendo compra de cocaína. Ele teria adquirido um valor do entorpecente que não foi condizente com a substância entregue.
A namorada, que estava em período de Carnaval com Carlos Eduardo, teria ficado na pousada onde estavam hospedados sob a condição de ameaça de morte. Essa parte, no entanto, não foi confirmada pelo delegado que investiga o caso.
O advogado, que era usuário confesso, foi supostamente coagido a buscar mais droga e, nesse momento, acabou sendo vítima de uma emboscada, entre a noite de terça-feira e o começo da madrugada de quarta.
Um laudo ainda é aguardado comprovando a causa, mas conforme repassado a partir do inquérito, Carlos Eduardo foi brutalmente agredido na cabeça e no abdômen, a partir de múltiplos ferimentos. Essas características devem condicionar o laudo a politraumatismo, que se deve por diversas lesões que atingem mais de um sistema do corpo.
Outro laudo que é aguardado é o toxicológico para saber se a versão, até aqui levantada, bate com o que foi colhido pela investigação.
Investigação segue para execução
Como divulgado no Portal ND+ ainda nesta quinta-feira, a morte de Carlos Eduardo não tem relação com sua profissão.
Outra suspeita inicial levantada era de que a polícia pudesse ter algum envolvimento com o crime já que a vítima, nas últimas semanas, vinha expondo uma série de represálias por parte da Brigada Militar (Polícia Militar no Rio Grande do Sul), Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal.
A dinâmica do crime e até mesmo o que foi investigado até aqui, segundo Ênio Mattos, descartam qualquer envolvimento do “estado” no episódio. Ao ser questionado, o delegado também nega qualquer relação do crime com alguma desavença relacionada a facções criminosas.
No momento há uma possibilidade de execução da vítima, além de não ser descartada a hipótese menor de um latrocínio.
Um segundo áudio obtido pela reportagem retrata um elemento, dono da mesma voz que faz o questionamento sobre o limite do cartão, admitindo fugir para Pelotas (RS) a fim de não ser preso novamente: “Pra cadeia eu não volto”. Ouça:
Coração gigante
A reportagem do Grupo ND conseguiu conversar com um amigo do advogado que se diz inconformado com o episódio, além de enaltecer as qualidades do gaúcho que é natural de Bagé, mas atuava junto as comarcas da região Metropolitana de Porto Alegre.
Anderson Silva, bastante incomodado, fala de supostas “amizades” do advogado que, em tese, poderiam ter levado o episódio a esse desfecho.
Confira um trecho do relato:
Relato de Anderson Silva, amigo da vítima – Vídeo: Divulgação/ND
Relembre o caso
Um cadáver foi localizado no bairro Rio Vermelho, em Florianópolis (SC), na manhã desta quarta-feira (2). Segundo BO (Boletim de Ocorrência), divulgado pela PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), um indivíduo foi encontrado com “perfurações na área da cintura”.
Local onde o veículo de Carlos Eduardo foi encontrado, próximo ao local onde o corpo foi deixado – Foto: Divulgação/Polícia CivilAinda de acordo com o que foi levantado, Carlos Eduardo Martins Lima foi encontrado sem os calçados na servidão Cinco Rosas, região Norte da Ilha de Santa Catarina, já no início da manhã.
O veículo que conduzia, uma BMW 320 foi encontrado mais tarde, em uma localidade próxima ao seu corpo. O carro estava com as portas abertas, sem documentos e sem chave.
As investigações prosseguem e mais prisões não estão descartadas ao longo desta sexta-feira.
O corpo de Carlos Eduardo foi reconhecido por familiares que estiveram em Florianópolis, e o levaram até Bagé (RS) onde será velado e sepultado.