As denúncias de que o dono de uma creche em Itapema teria abusado sexualmente de pelo menos 19 crianças não são as primeiras. No final de 2019, uma família foi à polícia denunciar que o homem havia tocado em uma menina de apenas 4 anos.
No entanto, após um ano de exames de corpo de delito, depoimentos à polícia e consultas psicológicas, o caso foi arquivado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) por falta de provas, em março desde ano.
No final de 2019, uma família foi à polícia denunciar que o homem havia tocado em uma menina de apenas 4 anos, mas o caso foi arquivado por falta de provas – Foto: Paulo Metling/NDTVMenos de três meses depois do arquivamento, no entanto, outras 19 famílias vieram a público denunciar novamente o dono da creche por abuso sexual contra as crianças matriculadas.
“Uma sensação horrível, indescritível”, conta a mãe da menina que teria sido abusada em 2019. O pai da menina, inclusive, chegou a ser ouvido por estar ameaçando o dono da creche.
“Essa situação minha foi de revolta. Senti revolta, nojo”, conta o pai. Ele conta que foi chamado para depor por ter ameaçado o suspeito, mas só foi ouvido sobre a suspeita de abuso em janeiro de 2021.
Mesmo depois do arquivamento da denúncia, os pais não desistiram e passaram a entrar em contato com responsáveis pelas crianças ainda matriculadas na recreação infantil.
Foi a partir daí que novas denúncias surgiram. Agora, o suspeito já tem 19 denúncias contra ele registradas na Delegacia de Polícia Civil de Itapema.
A polícia segue investigando. As crianças, os responsáveis por elas e outras duas funcionárias da escolinha já foram ouvidas.
O Judiciário concedeu um mandato de prisão contra o suspeito, que tem 25 anos. No entanto, ele fugiu e segue foragido.
A polícia segue investigando o caso. As crianças, os responsáveis por elas e outras duas funcionárias da escolinha já foram ouvidas – Foto: Paulo Metling/NDTVForça-tarefa de psicólogos
Para auxiliar nas investigações, uma força-tarefa de psicólogos policiais civis chegou a Itapema na quarta-feira (19), para além de auxiliar nas investigações, prestar suporte às vítimas e familiares que relataram casos de abuso sexual infantil.
Como identificar vítimas de abuso sexual
De acordo com Manoel Mafra, diretor do Núcleo de Prevenção às Drogas e à Pedofilia em Camboriú, existem maneiras diferentes de abordar o tema para cada faixa etária. Além disso, ele afirma que a melhor forma de prevenir é falar, em casa, sobre o tema.
Segundo ele, 90% dos abusadores são pessoas conhecidas das crianças. Por isso, é importante que as crianças saibam diferenciar carinho de abuso.
“Os responsáveis precisam se juntar e falar sobre isso, que ninguém pode tocar nelas, quais são as partes [do corpo] proibidas, e o que ela deve fazer quando isso acontecer”, explica. Para ele, a conversa, em casa, é a melhor forma de prevenir e de identificar casos de abuso sexual.
Depois das denúncias, profissionais especializados vão ouvir as crianças vítimas do abuso, para dar os encaminhamentos necessários.
Força-tarefa de psicólogos policiais civis chegou a Itapema para auxiliar nas investigações e prestar suporte às vítimas e familiares – Foto: Arquivo/NDTVCartilha nacional
A Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do governo federal atualizou a cartilha com informações sobre abuso sexual. Nela constam informações como os conceitos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, mitos e verdades sobre esses crimes, métodos do agressor e perfil das vítimas.
“O conhecimento sobre a rede de proteção dos menores de idade também é muito importante para estabelecer o vínculo entre o Estado e a sociedade para o enfrentamento dos casos”, afirma o secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maurício Cunha.