Bebês são acolhidos em viatura após casal tentar atropelar policial e ser preso em Joinville

Homem tentou atropelar policial e mulher foi atingida de raspão por disparo durante ocorrência no Centro da cidade

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Redação ND Joinville

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A abordagem a um veículo suspeito de fazer o trabalho de abastecimento para o tráfico na região Central de Joinville quase terminou em tragédia na noite de sexta-feira (19). Com um trabalho de monitoramento da região, policiais abordaram um veículo que estava estacionado na rua Itajaí e, a partir daí, uma sequência de ações terminou com dois bebês de 1 e 2 anos abrigados em uma viatura da Polícia Militar após a prisão de um casal.

Bebês de 1 e 2 anos foram abrigados pela Polícia Militar durante a ocorrência – Foto: Ricardo Alves/NDTVBebês de 1 e 2 anos foram abrigados pela Polícia Militar durante a ocorrência – Foto: Ricardo Alves/NDTV

“É uma ocorrência que sempre nos preocupa, mostra o caráter do criminoso, que colocou em risco pessoas inocentes, duas crianças”, ressalta o comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar, Celso Mlanarczyki.

O jovem de 21 anos, que dirigia o carro, acelerou o veículo, atropelando o policial. O outro PM disparou na direção do veículo e uma mulher de 22 anos foi atingida de raspão. Foram seis disparos realizados na direção do carro, na tentativa de cessar o atropelamento. “Cabe destacar que no veículo estava uma mulher e duas crianças. Em razão dos disparos, infelizmente, a mulher acabou sendo atingida por um projétil de raspão. Ela foi socorrida pelos policiais e, com o apoio do Samu, foi conduzida ao hospital”, contou o capitão Marques, que atendeu a ocorrência.

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O comandante do 8º BPM ressalta, ainda, o trabalho que vem sendo realizado na região Central e que gerou a ação dos policiais. Mlanarczyki conta que mais de 45% dos flagrantes de tráfico de drogas da área atendida pelo batalhão são feitos no Centro. “São de pequena monta, mas financiado pelas facções. Os policiais estavam monitorando para identificar quem faz a entrega e quando receberam a informação do veículo e fizeram a abordagem, ele jogou o carro em cima da guarnição, que efetuou os disparos em defesa da vida”, salienta.

O jovem de 21 anos foi preso no local e a mulher, após atendimento e encaminhamento ao hospital, também foi detida por participar da ação do tráfico de drogas. O rapaz também deve responder por tentativa de homicídio contra o policial militar.

As duas bebês que estavam no carro com o casal foram abrigadas pelos policiais dentro de uma viatura da Polícia Militar enquanto a ocorrência era finalizada e o Conselho Tutelar era acionado. Para o comandante, a presença das crianças tinha como objetivo “despistar” a ação criminosa. “Fazem isso para passar despercebidos, mas à noite e com a violência de jogar o carro em cima dos policiais, nem houve tempo de identificar quem estava no veículo. Essas crianças foram colocadas em risco de maneira proposital justamente para tirar a atenção da guarnição”, pontua.

Na viatura, as duas foram agasalhadas e distraídas com vídeos infantis. Mlanarczyki reforça a preocupação da polícia com a imagem que as crianças constroem da Polícia Militar. “Os pais estão sendo presos e temos a preocupação com o futuro dessas crianças, sempre temos um cuidado muito grande em demonstrar essa preocupação. Eles usaram as próprias crianças para acobertas os delitos, utilizaram crianças inocentes como escudo, o que certamente será considerado no processo”, ressalta.

Apesar da situação, destaca o comandante, a prisão é um fator positivo no combate ao tráfico na região central da cidade. “Embora ela tenha se ferido, e nós buscamos sempre trabalhar sem ferir ninguém, vemos a ação como um fator positivo para tirar uma pessoa que realizava o abastecimento do tráfico no centro. Estamos trabalhando para focar no usuário, no tráfico local e nos abastecedores para esse comércio no Centro”, conta.

O comandante reforça, ainda, que o jovem deve ser indiciado por tentativa de homicídio e lembra as mortes recentes de policiais. “Os dois últimos óbitos de policiais que tivemos foi por atropelamento. As pessoas pensam que as agressões são apenas com disparos mas, cada vez mais, os criminosos tem utilizado os veículos como arma”, finaliza.

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