As buscas pelo avião ocupado por três brasileiros, desaparecido na Argentina, completou seis dias nesta segunda-feira (11) sem resultados positivos.
Selfie tirada pelos tripulantes do avião que desapareceu na Argentina – Foto: Diario Jornada/Reprodução/NDAs más condições meteorológicas tem complicado os trabalhos realizados pelo Exército Argentino, a Marinha Argentina, a Prefeitura Naval e a Defesa Civil de Chubut, província onde a aeronave sumiu na quarta-feira (6).
No final de semana, as buscas aéreas chegaram a ser suspensas durante o dia por conta das más condições do tempo, segundo informou a Eana (Empresa Argentina de Navegação Aérea).
SeguirUm forte nevoeiro tomou conta da região na Zona Norte de Santa Cruz e no Sul de Chubut, onde estão sendo realizadas as operações. Além disso, alertas para temporais também dificultaram o trabalho.
Nesta segunda-feira, a Eana divulgou uma mensagem dizendo que as buscas pela aeronave continuam por terra, ar e mar. Aviões, helicópteros, navios e patrulhas terrestres motorizadas estão empenhados nas buscas.
De acordo com o jornal argentino La Opinón Austral, o Serviço Nacional de Meteorologia prevê que o tempo comece a melhorar na região com uma queda significativa da cobertura de nuvens, embora as rajadas de vento possam ultrapassar os 50 km/h.
Forte nevoeiro complicou as buscas pela aeronave na Argentina no final de semana – Foto: Eana/Divulgação/NDFamiliares publicam desabafo
Até o momento não se tem notícias sobre o paradeiro dos três tripulantes do avião: o empresário catarinense Toninho Ramos, o advogado Mário Pinho, que morava em Florianópolis, e o médico Gian Carlos Nercolini.
A esposa de Mário Pinho, Patrícia Althoff Richard, desabafou na internet: “o pessoal da Defesa Civil nos informou que não há mais chance de encontrá-los com vida. A tristeza é imensa. Meu amigo, amor, amante, cúmplice, companheiro de viagem, meu tudo se foi. Quanta tristeza”.
Uma irmã do médico Nercolini também se manifestou. Ela respondeu às postagens da Eana sobre o caso. “Sou irmã de um dos tripulantes do avião e ainda tenho fé que eles serão encontrados”, disse Deborah Nercolini.
Relembre o caso
O trio de brasileiros desaparecidos saiu do aeroporto de El Calafate, Sul da Argentina, com destino a Trelew, na Patagônia a bordo de um avião modelo RV-1.0 Em voo, a aeronave teve seu último contato registrado com o CCA (Centro de Controle de Área) de Comodoro Rivadavia, por volta das 17h.
Após várias tentativas de comunicação, o CCA alertou o serviço de busca e salvamento e foi ativado o protocolo de busca da aeronave pela Eana.
As buscas começaram ainda em 6 de abril. “O SAR (Serviço de Busca e Salvamento) de Eana recebeu hoje um alerta de perda de contato de uma pequena aeronave”. No dia seguinte, as buscas continuaram e um avião Hércules KC-130 sobrevoou a área.
Também neste dia, a empresa soltou um comunicado à imprensa, resumindo o início da operação. O primeiro passo foi entrar em contato com o Centro de Controle da Missão Argentina, que relatou a não ativação do farol ELT da aeronave [quando ativado, o ELT transmite um sinal, que pode determinar o local de uma aeronave em situação de emergência].
“Desta forma, à tarde, em condições meteorológicas desfavoráveis, iniciou-se a mobilização”, explicou o comunicado. Inicialmente, atuaram forças da Prefeitura Naval Argentina com trabalho da Guarda Costeira e duas aeronaves. A defesa civil de Chubut atuou com apoio terrestre. À noite, mais um avião saiu do aeroporto de El Palomar [Buenos Aires] com destino à região.
“As operações aéreas, terrestres e marítimas coordenadas pelo SAR continuarão ininterruptamente em busca da aeronave enquanto as condições climáticas permitirem”, enfatizou a empresa no fecho do documento.
Em entrevista a rádio argentina LU12 AM680, o piloto comercial Christian Argañaraz apontou fragilidades no avião modelo RV-10, indicando suspeitas para o desaparecimento.
Conforme Argañaraz, as hélices destas aeronaves não contam com o chamado sistema de proteção antigelo. O “congelamento” pode ocorrer diante das baixas temperaturas em grandes altitudes, e é responsável por provocar a queda de aviões – durante a entrevista o piloto listou alguns casos ocorridos na região.
“Ao perder a aerodinâmica da asa, perde-se sustentação e o avião cai automaticamente. Não há como planar. Nesse caso, você não tem escolha, o avião cai”, disse. Cabe ressaltar, entretanto, que ainda não se sabe o que aconteceu com a aeronave.