Candidato preso em Florianópolis teria colado adesivo em eleitores ‘na surdina’, diz PM

Maikon Costa (PL) foi preso neste domingo (2), mas liberado em seguida; vereador nega crime eleitoral

Maria Fernanda Salinet Florianópolis

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Preso por boca de urna neste domingo (2), o vereador de Florianópolis e candidato a deputado federal, Maikon Costa (PL), teria constrangido e colado adesivos em eleitores sem que eles percebessem, na entrada da escola Idelfonso Linhares, no bairro Carianos, segundo a Polícia Militar.

Maikon Costa (PL) foi preso neste domingo (2) – Foto: Montagem/NDMaikon Costa (PL) foi preso neste domingo (2) – Foto: Montagem/ND

“Por vezes manipulou material de campanha e de forma dissimulada trocava ou aliciava pessoas a colocarem material de campanha adesivado afixado em seu corpo, o que era facilitado pelo seu posicionamento”, diz a organização em nota.

Assim, ao abraçar e cumprimentar os eleitores, ele teria “projetado o corpo para fixar o adesivo neles”.

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Pela manhã, o vereador foi orientado três vezes pela Polícia Federal, Justiça Eleitoral e pela própria Polícia Militar para parar com a ação, segundo a polícia, mas ele teria retornado ao local à tarde e repetido a prática.

A conduta teria sido comprovada por vídeo ao juiz eleitoral, que entendeu que prejudicou o processo eleitoral. Assim, junto ao histórico do vereador de outras ocorrências — no último dia 12 ele foi preso por desobediência e resistência após agredir policiais — o candidato foi detido e levado para a Polícia Federal.

Confusão e prisão de vereador Maikon Costa por suspeita de boca de urna – Vídeo: Divulgação/ND

Em vídeo publicado em seu perfil, Costa afirma que não cometeu crime eleitoral. “Minha manifestação foi sempre silenciosa, não pedi voto para ninguém, apenas manifestação silenciosa, isso é permitido por lei.” Além disso, diz que prestou esclarecimentos para o delegado e está “muito tranquilo e seguro sobre a conduta”.

O vereador levanta a hipótese de que os denunciantes “tenham medo do meu procedimento e da minha conduta na comunidade que eu moro e na minha cidade, porque eles só sabem fazer esquema e tem medo de quem faz política limpa”.

Em nota, ele reforça que não fazia boca de urna. “O que eu fazia era justamente o contrário, a CONTRA BOCA DE URNA, que consiste em não permitir que cabos eleitorais pedissem votos ou até mesmo comprassem votos descaradamente com santinhos e dinheiro vivo para candidatos da coligação a qual defendem”, diz o texto.

A prisão ocorreu por volta das 15h30 após o vereador votar, segundo Crislene de Souza, companheira de Maikon. Vídeos mostram ele discutindo com eleitores, sendo contido por policias militares e entrando na viatura policial.

“A PM conduziu à Superintendência Regional da PF em Florianópolis um candidato a deputado federal que realizava propaganda eleitoral em seção eleitoral no bairro. No momento ele se encontra na PF, para os procedimentos de praxe dessa situação de crime eleitoral ‘boca de urna’”, informou a Polícia Federal, em nota. O vereador foi liberado ainda neste domingo, após assinar termo circunstanciado.

Com 4.910 votos, Maikon Costa ficou como suplente. Em relação à sua candidatura, o TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina) informou que se manifestará juridicamente, se houver competência.