Carroceiro atropelado em Jaraguá do Sul era apaixonado por cavalos: ‘fazia por amor’

Waldemar Horongoso, de 73 anos, morreu após ter a charrete atingida por um carro; o veículo era usado durante o trabalho de guia turístico na cidade

Sofia Mayer Joinville

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O carroceiro Waldemar Horongoso, de 73 anos, que morreu após ter a charrete atingida por um carro no último sábado (5), em Jaraguá do Sul, era conhecido por ser um homem apaixonado por cavalos, viagens e pela família.

Desde o início deste ano, ele usava as charretes para levar passageiros a pontos turísticos da cidade. Waldemar morreu no fim de uma dessas viagens, fazendo o que mais gostava.

Valdemar em seu último passeio, no sábado (5)Valdemar em seu último passeio, no sábado (5) – Foto: Divulgação/ND

Walnei Carlos Horongoso, filho de Waldemar, viu o pai durante seu último passeio, pouco antes do acidente acontecer, no dia 5 de junho. Ele estava levando clientes de um tradicional café colonial de Jaraguá do Sul para conhecer as belezas da cidade.

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“Eu passei por ele com o carro e até buzinei pra ele”, conta. “Cerca de 20 minutos depois, fui para casa e isso aconteceu”. Naquele dia, Walnei estava se preparando para uma viagem que aconteceria fora do Estado.

Quando o carro atropelou a charrete de Waldemar, porém, o idoso já estava sozinho, indo para a casa depois de jantar no próprio café colonial. Os dois cavalos que estavam juntos também foram atingidos. Segundo Walnei, os animais estão bem e sendo tratados em casa.

A família conta que o motorista se evadiu do local do acidente. O caroneiro, no entanto, teria permanecido lá. A investigação da Delegacia da Comarca de Jaraguá do Sul acontece sob sigilo.

Uma vida de paixões

Waldemar – que deixou a esposa, quatro filhos e alguns netos – era assumidamente apaixonado por cavalos. Ao todo, tinha cinco deles.

A charrete estava há anos presente no cotidiano da família, mas foi só em 2021 que o transporte virou atividade turística. Walnei revela que tudo era feito com muito amor. “Eu não sei nem quanto deveria cobrar” – era o que Waldemar dizia ao filho, no início do projeto.

A ideia surgiu para otimizar o setor turístico da cidade. “Houve tombamento histórico no bairro dele e alguns empreendedores começaram a fazer almoços típicos, cafés coloniais”, conta. Antes, “ele sempre levava as netas. Foi um avô muito bom”, complementa Walnei.

Homem de muitos amigos

O carroceiro era uma “pessoa bem querida, bem humilde e simples”. Cuidava dos cavalos como se fossem cachorros e viajava frequentemente com amigos através do grupo “dos carroceiros”. Em casa, também monitorava a plantação de aipim da família.

Carrete do idoso ficou destruídaCarrete do idoso ficou destruída – Foto: Divulgação/ND

As viagens com os amigos eram momentos sempre esperados. Quando chegavam no destino, por exemplo, os condutores das charretes se reuniam para fazer um churrasco e jogar conversa fora. “Faziam por amor, não tinham retorno financeiro”.

Relembre o caso

Testemunhas disseram que um carro estava trafegando em alta velocidade, no último sábado, quando bateu na traseira da charrete conduzida por Waldemar. Com o impacto, o homem foi arremessado.

Após o acidente, o idoso passou três dias no hospital. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu na noite de terça-feira (8).

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