A 4ª Vara Criminal da comarca de Joinville, Norte de Santa Catarina, realizou nesta quarta-feira, dia 27, uma audiência com o casal Renato e Aline Openkoski, denunciados pela suposta prática dos crimes previstos no artigo 171, caput, do Código Penal e no artigo 89 da Lei n. 13.146/2015, (estelionato e por apropriar-se ou desviar bens, proventos, pensão, benefícios, remuneração ou qualquer outro rendimento de pessoa com deficiência).
O casal foi ouvido pela justiça nesta quarta-feira (27) – Foto: Maikon Costa/NDTV JoinvilleEles são os pais do menino Jonatas Openkoski, diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal (AME) que, em 2017, promoveram uma campanha de arrecadação em busca de recursos para custear o tratamento do filho, mas teriam desviado parte do dinheiro para proveito próprio. A criança morreu aos 5 anos, após sofrer uma parada cardíaca.
A audiência foi presidida pelo juiz Paulo Eduardo Huergo Farah. O casal chegou ao fórum de Joinville com o carro avaliado em 140 mil reais, adquirido durante a campanha Ame Jonatas e que havia sido apreendido pela polícia em março de 2018.
SeguirEm fevereiro de 2019, a justiça tinha determinado o leilão do veículo. Com o casal, estavam três testemunhas de defesa que foram ouvidas pelo juiz, uma auxiliar de enfermagem, uma voluntária da campanha e o pai de um dos réus do processo. Antes de entrar, Renato sorriu e acenou para a câmera. A imprensa foi impedida de acompanhar a audiência.
No interrogatório, os presentes responderam a questionamentos do magistrado, da defesa e do Ministério Público. Os réus aproveitaram também para apresentar as próprias versões sobre os fatos a que são acusados.
As oitivas de hoje marcaram o final da fase de instrução. Na sequência, será concedido prazo para a defesa e o Ministério Público apresentarem suas alegações finais.
No retorno, o processo estará concluso para julgamento e sentença. Segundo os autos, em 2017, os réus – pais de um menino diagnosticado com AME – iniciaram uma campanha com o objetivo de arrecadar recursos para o tratamento do filho.
A mobilização virou alvo de ação judicial, com apreensão de bens e valores, em ação penal movida pelo Ministério Público após receber informações sobre o desvio de finalidade na aplicação das verbas angariadas.
Vídeo do casal chegando no fórum de Joinville
Vídeo: Jonathan Rocha/NDTV
Em 2017, com exclusividade, a NDTV Record revelou que a campanha foi parar na justiça, após denúncia de estelionato e desvios. Além de cometer graves falhas na prestação de contas e resistência em transferir o dinheiro da arrecadação para uma conta judicial, o casal vivia uma vida de luxo.
Em 2018, os pais deixaram a criança com familiares e passaram a virada de ano em Fernando de Noronha, um dos destinos mais caros do país. No mesmo ano, a justiça bloqueou as contas do casal.
A Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Aline e Renato, onde foram apreendidos diversos itens como perfumes importados, jóias, diversos celulares, aparelhos eletrônicos, jogos, vinhos e espumantes.