Caso Cátia Regina: um ano após assassinato brutal, caso se arrasta na Justiça

Enquanto família pede prisão dos três acusados, defesa afirma que provas não sustentam acusação. Um dos suspeitos está foragido há um ano

Foto de Adrieli Evarini

Adrieli Evarini Joinville

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Um ano se passou desde que o retorno da viagem para São Paulo se transformou em pesadelo para a família da empresária Cátia Regina Silva. Aos 46 anos, ela foi assassinada enquanto voltava para São Francisco do Sul, no Litoral Norte.

Um ano depois, sequer a fase de instrução do processo foi concluída e não há qualquer expectativa para que os acusados sejam submetidos a julgamento.

Cátia voltava para São Francisco do Sul quando foi abordada e levada para o local onde foi morta – Foto: Foto: FacebookCátia voltava para São Francisco do Sul quando foi abordada e levada para o local onde foi morta – Foto: Foto: Facebook

“Hoje, neste momento, a palavra é frustração, porque até aconteceram algumas audiências, mas agora está parado. Aconteceu há um ano, ele está foragido, ela está em casa e aquele que está na cadeia pede toda semana para sair. A única coisa que queremos é justiça. Que o foragido fosse preso, que todos fossem presos”, fala Ana Paula Cercal, filha da empresária.

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Cátia era dona de uma loja de roupas e viajava toda semana para a capital paulista, onde comprava o material revendido em São Francisco do Sul. Cerca de dois meses antes de ser brutalmente assassinada, a família relata que a empresária começou a receber ameaças de uma pessoa que se identificava como fiscal da Receita Federal.

As ameaças, conta a filha, eram feitas por um perfil falso em rede social. “Não chegaram a ameaçar de morte, não que ela tenha me contado. Falavam que ela era uma pobre coitada, uma ridícula, que não tinha nada e que iriam denunciar ela. A pessoa se apresentava como fiscal da Receita Federal e queria marcar conversa à noite”, diz.

A empresária desapareceu na noite de 24 de julho e a investigação aponta que ela foi rendida pelos acusados na BR-280. De acordo com o delegado Rafaello Ross, à época da conclusão do inquérito, os acusados simularam uma blitz policial.

“Abordaram a vítima, se passando por policiais federais e agentes da Receita Federal. Ela estava voltando de São Paulo com mercadorias que iria revender em São Francisco do Sul e parou, achando que era uma blitz. Neste momento, foi abordada e rendida pelos criminosos. Ela foi colocada no seu veículo, algemada, encapuzada, e seguiram rumo a São Francisco, onde o carro foi abandonado”, relembra o delegado.

Durante as buscas, o carro de Cátia foi encontrado carbonizado no Morro da Palha, em São Francisco do Sul. Pegadas de um sapato diferente ao que a empresária usava no dia também foram encontradas. – Foto: Polícia CivilDurante as buscas, o carro de Cátia foi encontrado carbonizado no Morro da Palha, em São Francisco do Sul. Pegadas de um sapato diferente ao que a empresária usava no dia também foram encontradas. – Foto: Polícia Civil

Depois disso, de acordo com a polícia, Cátia foi levada para um local ermo em Araquari, onde foi encontrada morta com um tiro na cabeça e braços amarrados. O corpo foi jogado em um rio, mas ficou submerso e foi encontrado no dia seguinte.

Ainda de acordo com a polícia, antes de incendiar o carro, os acusados furtaram a mercadoria que Cátia havia comprado e colocaram para revender na própria loja.

“Eles retornaram ao Morro da Palha, onde o carro foi incendiado, mas antes subtraíram a mercadoria. E como se isso não fosse o suficiente, ainda colocaram à venda na loja de roupas da concorrente”, conta o delegado.

Disputa comercial

O delegado Tiago Escudeiro ressaltou, ainda, que o crime foi motivado por uma disputa comercial, e que o terceiro envolvido no caso era amigo do casal que seria o mandante do crime.

“Ele era um amigo íntimo de um dos criminosos e já tinha passagens, inclusive por homicídio. Ele acabou ajudando o amigo a retirar esse ‘problema’, que julgava ter no comércio com a esposa”, disse à época.

Magali dos Santos e o marido Fabrício Woche foram apontados, no inquérito, como os mandantes do crime. Fabrício, que continua foragido desde a época do crime, teria sido ajudado pelo amigo Odelir Medeiros, na execução do crime. Magali responde ao processo em prisão domiciliar e Odelir está preso.

A defesa, no entanto, nega que Magali e Odelir tenham qualquer envolvimento no crime.

Para a família, a espera é por justiça. “A minha mãe conseguiu tudo sozinha, nunca precisou de ninguém e o que eu mais admirava nela era essa persistência. Hoje, nos sentimos frustrados e parece que minha mãe não está descansando porque não conseguimos prender quem fez isso com ela. Não vamos desistir enquanto os três não estiverem presos”, finaliza.

Defesa alega que não há provas

Responsável pela defesa de Magali dos Santos e Odelir Medeiros, o advogado Odilon Amaral ressalta que não há indicação para que a Justiça defina se os acusados serão submetidos ao júri popular.

Além disso, ele questiona a demora para realizar perícia nas câmeras de monitoramento da residência do casal, o que, para ele, poderia ser conclusivo.

“A Magali afirma com veemência que ela e o Fabrício estavam em casa. É aí que vem a contradição com relação às câmeras da casa, que poderiam elucidar essa versão dada pela Magali”, ressalta.

Durante as audiências de instrução e julgamento, família de Cátia pedia por justiça – Foto: Ricardo Moreira/NDTVDurante as audiências de instrução e julgamento, família de Cátia pedia por justiça – Foto: Ricardo Moreira/NDTV

Ele afirma, ainda, que a arma encontrada na casa da família no mesmo dia que Fabrício fugiu de casa e nunca mais foi encontrado, não condiz com o ferimento que matou Cátia.

“Essa arma foi encontrada na casa do Fabrício e encaminhada para a perícia, que não concluiu que seria a arma do crime. Até porque, por uma questão técnica, conversando com alguns peritos, aquela arma não seria capaz de provocar aquele tipo de ferimento”, alega.

O advogado ressalta que, para a defesa, Magali e Odelir são inocentes e sustenta, ainda, que não há provas contundentes no processo.

Depois das audiências de instrução e julgamento que já aconteceram, o processo ainda não chegou à fase de definição, que pode fazer com que a Justiça determine o julgamento dos acusados.

Foragido há um ano, nenhum advogado se apresentou como defensor de Fabricio.

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