A segunda e última audiência de instrução do caso Catia Regina da Silva, empresária morta em julho de 2019, aconteceu nesta quinta-feira (27) no Fórum de Araquari, Norte do Estado. Começou às 14 horas e terminou por volta das 16h30.
Parentes da empresária Cátia Regina chegaram ao Fórum uma hora antes da audiência clamando justiça – Foto: Reprodução NDTV/Divulgação NDParentes da empresária e acusados do crime novamente ficaram frente a frente. De camisetas brancas com a foto da vítima, os parentes cobraram agilidade no julgamento do caso. Emocionada, a filha de Cátia lembrou os bons momentos que passou ao lado da mãe e pediu justiça.
Os dois acusados, que estão presos preventivamente, participaram da audiência. Magali dos Santos, que cumpre prisão cautelar em regime domiciliar em razão da amamentação do filho, chegou ao Fórum acompanhada dos advogados. Odelir Medeiros, que está na unidade prisional avançada de São Francisco do Sul, chegou escoltado pela polícia e entrou por uma porta lateral do Fórum. Nesta audiência, foram ouvidas mais três testemunhas de defesa. Na primeira, foram ouvidas 21 testemunhas.
SeguirCátia Regina foi assassinada no dia 24 de julho do ano passado, após voltar de uma viagem de negócios a São Paulo. Havia comprado produtos para revender em sua loja, em São Francisco do Sul. Segundo investigação da polícia, a empresária teria sido abordada na BR- 280 por dois homens que se passaram por agentes da Receita Federal.
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O carro de Cátia foi encontrado incendiado próximo ao Morro da Palha e o corpo da vítima localizado em um rio que passa por Araquari. A principal suspeita é de que a morte tenha sido provocada por disputa entre comerciantes. Dias antes de ser morta, Cátia havia publicado na internet que sofria ameaças.
Para o Ministério Público e advogados da família da vítima, as provas contra os acusados são suficientes. O promotor Leandro Garcia Machado destacou que continua confiante de que os acusados serão submetidos a júri popular diante das provas colhidas.
Lembrou, ainda, que a acusação pediu que a produção de provas valesse também para Fabrício Woche, marido de Magali, que também teria participado do crime, e continua foragido.
Já o advogado de defesa, Odilon Amaral Martins, argumenta que não há provas consistentes. Para ele, todas as provas apresentadas pela acusação são fáceis de rebater.
Próximos passos
Após a audiência desta quinta-feira (27), foi aberto um prazo para que sejam cumpridas diligências solicitadas pela defesa e acusação e reunidos alguns documentos. Uma das diligências, por exemplo, é a perícia em uma câmara de vigilância que foi apreendida junto com outros elementos de prova.
Após esse período, é aberto prazo para as alegações finais. É quando Ministério Público e defesa debatem acerca das provas. Depois disso, o juiz decide se submete o caso ao Tribunal do Júri.
A defesa pode ou não recorrer. Se não houver recurso, o juiz marca o júri, mas se a defesa interpor recurso, é preciso aguardar a decisão do Tribunal de Justiça. Isto pode levar cerca de seis meses.
No entanto, os advogados de defesa já anteciparam que vão recorrer da decisão. “Se houver pronunciamento, vamos entrar com recurso”, garante Odilon Amaral Martins.
Relembre o caso
- A empresária Cátia Regina da Silva desapareceu na noite do dia 24 de julho de 2019, enquanto retornava para casa após uma viagem a São Paulo, onde comprava as roupas que revendia em São Francisco do Sul. Na manhã do dia seguinte, o carro da empresária foi encontrado incendiado em uma estrada do Morro da Palha. O corpo foi localizado horas depois em um rio que passa por Araquari.
- De acordo com as investigações da polícia, dois homens se passaram por agentes da Receita Federal para abordar Cátia na estrada. Essa ação foi registrada por câmeras de monitoramento.
- O inquérito apontou, ainda, que Cátia recebeu ameaças por conta da concorrência comercial em São Francisco do Sul. Um dia antes de ser morta, Cátia divulgou um vídeo relatando ameaças.
- O Ministério Público ofereceu denúncia contra os três acusados no dia 10 de outubro.
*Com informações de Maikon Costa, da NDTV