Acolhendo mulheres vítimas de violência doméstica com filhos e dependentes, a Casa das Anas atua em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, desde 2018.
Atualmente, durante o Agosto Lilás, mês de enfrentamento e combate à violência contra a mulher, todas as 20 vagas disponíveis no local estão ocupadas.
O Agosto Lilás busca combater a violência contra mulher e conscientizar a sociedade sobre o tema – Foto: Carlos Jr/ND‘Tudo começa com pequenas discussões’
A frase é parte do relato de uma das vítimas abrigadas na Casa das Anas de Balneário Camboriú. Ela detalhou que os relacionamentos abusivos começam com a violência psicológica e então partem para discussões, mas sem parecer tóxico. Com o tempo, começam as agressões.
Seguir“Chegou a um ponto em que ele veio para cima de mim com uma faca”, conta a vítima. Ela explica ainda que alguns comportamentos, como o de não deixar a mulher trabalhar e só cuidar da casa, aparentam ser de cuidado e amor quando se está dentro do relacionamento.
Já a psicóloga Beatriz Machowski, que também recebeu o acolhimento da Casa das Anas, pontua: “a maior referência que temos são nossos pais, então geralmente vamos reproduzir o que vemos nossa família fazendo”. Dessa forma, atitudes de agressão à mulher podem ser repassadas de geração a geração.
O que também agrava a situação, conforme a educadora social Lisiane Thomsem, é que muitos pais ensinam aos filhos que é permitido agredir, violentar e xingar a mãe, já que ela “não vale nada”.
Tais atitudes fazem com que as crianças deixem de ver a mãe como uma figura de autoridade e, portanto, é necessário restaurar os vínculos familiares e restabelecer o relacionamento, ponto também abordado dentro da instituição.
Lisiane lembra ainda que as mulheres chegam ao abrigo muito vulneráveis, depois de sofrerem violência e largarem toda a vida que tinham anteriormente. Muitas vezes, por questões de segurança e viabilidade, a escolha também leva as crianças a trocarem de escola.
A educadora lamenta que, por vezes, as vítimas preferem permanecer na situação que estão a passar por drásticas mudanças, indo parar nas mãos de alguém desconhecido. Dessa maneira, a presença de uma rede de apoio às vítimas de violência doméstica é vital.
Impedir a mulher de falar com amigos e familiares também complica a saída de um relacionamento abusivo, bem como a gravidez ou o nascimento de um filho causam mais insegurança e medo às vítimas.
Atualmente, 17 mil medidas protetivas estão em andamento em SC – Foto: Marco Santiago/NDNa Casa das Anas, Lisiane Thomsem ressalta que são trabalhados os aspectos da autoestima e autonomia, ajudando a quebrar esse ciclo de violência e iniciar uma nova caminhada.
Acolhimento na Casa das Anas
Dentro da instituição, as mulheres recebem acompanhamento psicológico, jurídico, de saúde, educação e documentação civil, além de terem oportunidades de vagas no mercado de trabalho.
Nesse sentido, por meio de parcerias são ofertadas oficinas e cursos profissionalizantes que as ajudam a começarem uma nova jornada.
Conforme a gerente de projetos, Mariana Torres, o acolhimento ocorre após o registro do boletim de ocorrência e a solicitação, por parte da vítima, junto ao CREAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Itajaí.
Mariana esclarece que o tempo máximo permitido dentro da residência é de um ano. Ela também frisa a importância da expansão do local, já que a violência doméstica é um grande problema na região e todas as vagas estão ocupadas.
No município, o CREAS está localizado na rua Domingos Laureano, 325, no bairro São João, com horário de funcionamento das 7h30 às 18h. Os telefones para contato são (47) 3348-1774 e (47) 3349-5527.
Já a Casa das Anas pode ser contatada através do telefone (47) 3224-4260 e WhatsApp (47) 99108-1975.