Chacina em Araquari foi armadilha feita por facção criminosa, conclui polícia

Polícia Civil concluiu inquérito que aponta 10 pessoas como responsáveis pela execução de cinco pessoas em dezembro de 2019

Foto de Adrieli Evarini

Adrieli Evarini Joinville

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A chacina que chocou Araquari, no Norte do Estado, em dezembro do ano passado, completou dois meses no último dia 6 de fevereiro e, nesta terça-feira (11), a Polícia Civil concluiu o inquérito que apontou 10 responsáveis pelas mortes de cinco pessoas. Outras duas vítimas ficaram feridas.

Chacina aconteceu em área de ocupação no Centro da cidade – Foto: Ricardo Alves/NDTVChacina aconteceu em área de ocupação no Centro da cidade – Foto: Ricardo Alves/NDTV

Dos participantes na chacina apontados na investigação, nove foram indiciados e um não foi identificado. O delegado conta que a polícia conseguiu identificar o apelido que ele utiliza na facção, mas não a identidade do suspeito.

Conhecido como “Andy”, ele continua foragido, assim como outros quatro participantes da ação. Um dos suspeitos foi preso durante a investigação e quatro foram presos durante a Operação Narcos.

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De acordo com a investigação, todos os envolvidos eram integrantes de uma facção criminosa catarinense que atua na região, e os suspeitos marcaram uma reunião como armadilha para cometer os crimes.

O delegado responsável pelo caso, Thiago Escudeiro, já havia adiantado no dia do crime que a motivação seria o comércio de drogas no local sem a autorização da facção.

Durante as investigações, a motivação ficou comprovada, garante o delegado. “Eles não tinham autorização da facção para vender drogas no local. Além disso, uma das vítimas já estava desafiando o comando da facção, estava vendendo drogas sem pagar o ‘dízimo’ e ainda queria pleitear o retorno dele a um cargo de maior relevância dentro da organização”, conta.

O delegado explica, ainda, que o grupo simulou uma reunião que, supostamente, teria como objetivo “acertar” a dívida pela falta de pagamento do “dízimo” para a cúpula da facção. “Mas, na verdade, o encontro serviu para executar as pessoas que estavam no local. Foi uma armadilha”, diz.

Ainda de acordo com o delegado, um dos líderes da facção foi pessoalmente ao local para executar o desafeto. “Eles usaram isso como uma forma de aviso para que outros que pensassem em fazer o comércio sem autorização ou desafiar o poder da facção soubessem das consequências”, explica o delegado.

Ele conta, também, que parte dos envolvidos participou da execução como maneira de “quitar dívidas” com a facção, então, a missão de execução funcionou como quitação dessa dívida.

Indiciados podem ter participado de 15 homicídios na cidade em 2019

O delegado explica que todos os indiciados neste inquérito também são investigados pela participação nos 16 homicídios (exceto o assassinato da empresária Cátia Regina) e quatro tentativas que foram registradas no município em 2019.

“Todos esses crimes têm relação com a facção, mesmo aqueles em que eles não foram diretamente os executores”, ressalta. Todos os indiciados já possuem mandados de prisão expedidos.

No entanto, o delegado não descarta a participação de outras pessoas na chacina. “A facção possui muita rotatividade, especialmente com relação à cúpula. Há linhas de investigação que podem apontar o envolvimento de outras quatro pessoas que a gente não consegue ter certeza de qual cargo eles tinham na época do crime”, diz.

Dos que participaram das execuções, o delegado conta que seis ocupam cargos de cúpula da facção e os outros são os responsáveis diretos por cumprir as missões do comando.

O delegado pede, ainda, que quem tiver informações que possam auxiliar a identificação do “Andy” e a localização de suspeitos pode realizar denúncia anônima por meio do 181, da Polícia Civil.

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