Horas após a votação na CCJ, o plenário da Câmara decidiu nesta quarta-feira (10) pela manutenção da prisão preventiva do deputado Chiquinho Brazão. O placar ficou em 277 votos a favor da prisão e 129 contra. O mínimo de votos necessário era de 257. Houve 28 abstenções.
Placar na Câmara ficou em 277 votos a favor de manter a prisão e 129 contra – Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos DeputadosA bancada catarinense ficou dividida. Dos 16 deputados federais catarinenses, 15 votaram. Sete foram favoráveis à manutenção da prisão e oito foram contrários. Carlos Chiodini (MDB) foi o único ausente.
Antes da votação em plenário, o catarinense Darci de Matos (PSD), relator do caso, leu seu parecer e defendeu a manutenção da prisão do parlamentar. O parecer concordou com a tese do STF (Supremo Tribunal Federal) de que a prisão era necessária por atos de obstrução à Justiça.
SeguirDarci de Matos ressaltou que está “claramente configurado o estado de flagrância do crime apontado, seja por sua natureza de permanência, seja pelo fato de que os atos de obstrução continuavam a ser praticados ao longo do tempo”.
Votação pela manutenção da prisão de Chiquinho Brazão
A favor da prisão
- Ana Paula Lima (PT);
- Darci de Matos (PSD);
- Fábio Schiochet (União);
- Gilson Marques (Novo);
- Ismael (PSD);
- Pedro Uczai (PT);
- Valdir Cobalchini (MDB).
Contra a prisão
- Caroline de Toni (PL);
- Daniel Freitas (PL);
- Daniela Reinehr (PL);
- Geovania de Sá (PSDB);
- Jorge Goetten (PL);
- Julia Zanatta (PL);
- Rafael Pezenti (MDB);
- Zé Trovão PL (PL).
Não estava presente
- Carlos Chiodini (MDB)
Discussão do relatório na CCJ
Após quase cinco horas de discussão, os integrantes da CCJ aprovaram, por 39 votos a 25, o relatório que recomendou a manutenção da prisão preventiva de Brazão, determinada no fim de março pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Tanto a presidente da comissão, Carol de Toni (PL), quanto o relator do caso, Darci de Matos (PSD), são deputados federais de Santa Catarina. A bancada catarinense na CCJ é composta ainda por outros quatro deputados titulares e um suplente.
Relator do caso, Darci de Matos (PSD-SC) defendeu a manutenção da prisão preventiva de Chiquinho Brazão – Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos DeputadosTrês parlamentares catarinenses votaram a análise do caso na CCJ: Cobalchini (MDB) e Darci de Matos (PSD), votaram a favor da prisão, enquanto a deputada Júlia Zanatta (PL) votou contra. A presidente, Carol de Toni (PL), não votou.
Em seu posicionamento, o relator, Darci de Matos (PSD), destacou que a decisão pela prisão de Chiquinho foi aprovada por unanimidade pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
“A Polícia Federal indica expressamente que até os dias atuais os investigados criaram obstáculos à investigação. Contra fatos, não há argumentos”, declarou Matos.
Relembre o caso
Chiquinho Brazão é suspeito de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.
Deputado federal Chiquinho Brazão está preso preventivamente desde 24 de março – Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação/NDO deputado foi detido no último dia 24 de março pela Polícia Federal (PF) junto com o irmão, Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), e o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio.
Além deles, outros quatro suspeitos estão detidos:
- Ronnie Lessa, apontado como o autor dos disparos;
- Élcio de Queiroz, que confessou ter dirigido o carro usado na execução;
- Edilson Barbosa dos Santos, apontado como o responsável por desmanchar o carro usado no dia do assassinato;
- Suel, acusado de ceder um carro para Lessa esconder as armas usadas no crime.