Cinta e boia usadas para matar Roseli são achadas e corpo segue desaparecido

Bombeiros continuam as buscas no lago de uma usina no interior de Alto Bela Vista; mulher foi morta asfixiada e ex-companheiro confessou o crime

Foto de Caroline Figueiredo

Caroline Figueiredo Chapecó

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A cinta e a boia utilizadas para matar Roseli Fátima Stoll, de 38 anos, foram localizadas pela PC (Polícia Civil) na casa do ex-companheiro dela após a confissão do crime. O corpo segue desaparecido e as buscas continuam no lago de uma usina hidrelétrica, na comunidade de Entre Rios, a cerca de 10 km do Centro de Alto Bela Vista, no Oeste de Santa Catarina. 

cinta e boiaCinta e boia utilizadas no assassinato de Roseli foram localizadas na casa do ex-companheiro. – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND

O local em que o corpo estaria foi indicado pelo ex-companheiro de Roseli. A investigação aponta, com base no relato do autor confesso, que a auxiliar de cozinha foi morta asfixiada com uma cinta e seu corpo foi jogado no lago amarrado a uma pedra. As buscas iniciaram na última quarta-feira (8).

No terceiro dia de buscas nove bombeiros militares atuam na operação, entre eles sete mergulhadores. Nesta sexta-feira (10) uma equipe do CBM/SC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina) chegou ao local com um aparelho sonar para auxiliar na procura.

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Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Piratuba, cabo Nilton José Gruber, o local em que as buscas estão ocorrendo possui cerca de 25 metros de profundidade.

“Entre 15 e 18 metros conseguimos mergulhar, mas existe muito troncos e galhos de árvore o que dificultam o acesso dos mergulhadores. Desde quarta-feira a varredura já foi feita em cerca de mil metros quadrados”, explica.

Falta de visibilidade dificulta

Os profissionais iniciam as buscas por volta das 10h e seguem até por volta das 18h, em decorrência da falta de visibilidade no período noturno. Os bombeiros contam com o auxílio de dois botes, uma câmera subaquática, que possibilita enxergar embaixo da água, e um equipamento de sonar.

Bombeiros realizaram buscas com o uso de um sonar nesta sexta-feira (10). – Foto: Marcos Feijó/Rádio Rural/Divulgação/NDBombeiros realizaram buscas com o uso de um sonar nesta sexta-feira (10). – Foto: Marcos Feijó/Rádio Rural/Divulgação/ND

Conforme o CBMSC, o sonar é um dispositivo, em formato de torpedo que é acoplado embaixo da embarcação e funciona como se fosse um ultrassom, com o intuito de navegação, comunicação ou detecção de objetos na ou sob a superfície da água, como outras embarcações ou grandes animais.

De acordo com o pulso sonoro detectado, ele gera uma imagem. Muitas embarcações já possuem o sonar próprio. A diferença do utilizado nas buscas pelo corpo de Roseli é que ele desce até 50 metros com um cabo. Tem uma potência bem maior e apresenta resolução melhor.

“A câmera ela é eficaz onde existe luminosidade, mas como no fundo tem muitas barreiras dificulta a visibilidade. Por isso, o equipamento de sonar veio para auxiliar e melhoras as buscas”, acrescenta Gruber.

O comandante observa que existe a possibilidade do corpo ter ficado preso a algum material, como por exemplo em galhos ou troncos, em decorrência da grande quantidade de barreiras, o que pode estar dificultando a localização.

Além dos bombeiros de Piratuba e Florianópolis, a equipe conta com profissionais de São Miguel do Oeste, Pinhalzinho e Joaçaba. Uma reunião deve ser realizada ao fim desta sexta-feira para identificar a necessidade de mais reforço.

Corpo de Roseli foi desovado no lago de uma usina hidrelétrica. – Vídeo: Marcos Feijó/Rádio Rural/Divulgação/ND

Bombeiros procuram pelo corpo há três dias. – Vídeo: Marcos Feijó/Rádio Rural/Divulgação/ND

Ex-companheiro está preso

Após ser localizado na noite de terça-feira (7) em Antônio Prado (RS), a cerca de 270 km de Alto Bela Vista, o ex-companheiro de Roseli segue preso preventivamente em Concórdia.

O homem fugia em um Renault/Logan e tentou escapar de uma abordagem da Brigada Militar do Rio Grande do Sul na rodovia RS-122, mas mesmo assim acabou preso.

“Após cerca de 18 km de acompanhamento, conseguimos a abordagem do suspeito. Iniciamos os questionamentos, com base nas informações já repassadas, e notamos um nervosismo ao ser questionado sobre o paradeiro de sua ex-companheira”, explicou o 36º Batalhão de Polícia Militar em nota.

O homem tentou fugir a pé por uma região de mata fechada e de difícil acesso, contudo os policiais conseguiram captura-lo novamente. “Ele ofereceu resistência, mesmo imobilizado no chão, evitando entregar as mãos para o uso das algemas”, detalhou a polícia gaúcha.

O carro foi apreendido e passou por perícia com luminol, utilizado em perícias criminais de modo a identificar sangue no local do crime.

Relembre o caso

Roseli morava no bairro Nações, em Concórdia. A mulher foi vista pela última vez em um restaurante na área central, logo após sair do trabalho, por volta das 19h40 de quinta-feira (2). Familiares registraram um Boletim de Ocorrência na segunda-feira (6), pois ela não foi trabalhar e a casa não tinha sinais de arrombamento.

Roseli StollRoseli foi vista pela última vez quando saiu do trabalho – Foto: Arquivo Pessoal/ND

O ex-namorado da mulher já era investigado pela polícia, pois estava foragido e teria passado por Florianópolis (SC) e Caxias do Sul (RS). Os dois estavam juntos há cerca de sete meses e ele não aceitava o fim da relação.

Ciúmes, brigas e abuso psicológico marcaram os últimos meses da vida de Roseli, que até hoje segue desaparecida. Roseli, mãe de três filhos, teria sido proibida até mesmo de manter contato com a família.

Feitiço teria motivado o crime

De acordo com o delegado Alvaro Weinert Optiz, responsável pela investigação, o acusado disse à polícia que a motivação do crime seria um feitiço, realizada pela irmã da vítima.

“Ele confessou o crime, disse que teria asfixiado ela com uma cinta na manhã de sexta-feira, no dia 3. Disse que tinha desentendimentos com a família dela e que, em razão desses desentendimentos, o crime teria acontecido. Ele disse que a irmã da vítima teria feito uma ‘macumba’ contra ele e que a motivação seria essa”, contou ao ND+.

O delegado também disse que o acusado não demonstrou arrependimentos e que ele relatou sofrer de epilepsia e estava sem medicação no momento do crime. A informação em relação ao distúrbio também foi citada por Grasieli Stoll, irmã da vítima.

casa de Roseli com roupas ainda no varalCasa de Roseli segue fechada como ela teria deixado antes de sair de casa; Roupas permanecem no varal – Foto: Nadia Michaltchuk/ND

Uma mulher trabalhadora, séria e sem vícios. Assim a família e os amigos a descrevem. Segundo a irmã da vítima, Roseli era uma pessoa feliz e levava uma vida calma até conhecer o ex-namorado. No início, de acordo com Grasieli, o ex-companheiro demonstrava ser uma pessoa calma. Em questão de meses, ele teria se transformado em um homem possessivo e agressivo.

Para a família o sentimento é de ódio e revolta. “A gente pede por justiça, porque a minha irmã não vai mais voltar para casa. Trinta anos de cadeia é muito pouco para ele, porque a vida da minha irmã foi perdida para sempre. Ela não vai mais voltar. [Desejo] que no mínimo ele apodreça atrás das grades pelo resto da vida.”