Com casos diários, Joinville lança campanha de combate à violência contra mulher

Projeto busca acolher também vítimas de agressões psicológicas; segundo a prefeitura, foram 800 denúncias só em 2020

Redação ND* Joinville

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Controlar, ameaçar, constranger, manipular, isolar. Por dia, são registrados, em média, dois casos desses e outros tipos de violência contra a mulher em Joinville, no Norte do Santa Catarina.

Campanha da prefeitura destaca violência contra a mulher – Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação/NDCampanha da prefeitura destaca violência contra a mulher – Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação/ND

Os dados, divulgados pela prefeitura, no entanto, não refletem todas as ocorrências que, de fato, acontecem na região. Isso porque muitas das agressões se limitam às quatro paredes, de forma bastante velada e difícil de ser percebida.

Por isso, o município lançou a campanha “Use sua voz”, projetada por uma equipe de mulheres.

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“Precisamos falar sobre este tipo de violência, pois ela está muito perto de todos nós. Só em Joinville, no ano passado, foram 800 denúncias”, argumentou a vice-prefeita de Joinville, Rejane Gambin, uma das pessoas à frente do projeto.

“Falar é também conscientizar sobre a importância de apoiarmos as vítimas para que possam reconstruir suas vidas”, completou.

A campanha acontece por meio de diferentes frentes, como em debates e palestras. Conteúdos informativos também são divulgados pelas redes sociais da prefeitura. Haverá, por exemplo, rodas de conversa e ações de acolhimento às vítimas.

Delegacia registra casos

“Você não serve para nada”, “Não pode sair sem mim”, “Não pode trabalhar” ou “Vou acabar com a sua família”. Essas são formas comuns de violentar psicologicamente uma mulher, vistas cada vez mais na rotina policial de Joinville.

Violência contra a mulherViolência nem sempre é explícita – Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil/Arquivo/ND

A discussão ganhou ainda mais força em 29 de julho, quando uma lei federal foi sancionada para definir esse tipo de agressão.

Embora o projeto tenha sido aprovado recentemente, esta é uma pauta debatida há bastante tempo em Joinville. Na Delegacia da Mulher, por exemplo, existe uma psicóloga policial que conhece bem as nuances desse tipo de crime.

“Elas podem ser mais sutis, desde dizer que a pessoa não é competente, não é bonita o suficiente, não é uma boa mãe ou uma boa profissional”, exemplifica a psicóloga policial Juliana Lima Medeiros.

“Às vezes, esses atos que parecem sutis para algumas mulheres podem ter um impacto muito significativo, como, por exemplo, nunca conseguir investir no mercado de trabalho, evidentemente gerando sofrimento”, complementa.

Em alguns casos, no entanto, a violência fica mais explícita. “Há xingamentos. O homem impede o convívio social com outras pessoas, em ambientes de trabalho familiares, amigos”, conta a psicóloga.

Fases da violência

Um banner, estampado na delegacia, mostra o ciclo da violência psicológica: a relação costuma começar com promessas de amor e, depois, evolui para ameaças, ordens, isolamento social. O próximo passo é o medo e o controle. Depois, vem a agressão física, que passa pela etapa das “desculpas” e do “reforço”.

Violência contra a mulherDois casos de violência contra mulher são registrados por dia em Joinville – Foto: Reprodução/ND

A delegada Claudia Gonzaga revela que, antes da lei, a delegacia já enquadrava violência psicológica como crime, mas era preciso um laudo médico, tornando o caminho mais longo para quem tem pressa.

“A legislação vem para agregar. É um facilitador, porque agora vem uma tipificação falando especificamente da agressão psicológica”, explica.

*Com informações da NDTV Joinville

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