Uma publicação feita pelo deputado estadual Ivan Naatz (PL) gerou revolta entre oficiais da Polícia Militar.
Soldado PM Luiz Fernando de Oliveira, que deixou mulher e filha, foi sepultado no sábado (12), em Florianópolis – Foto: Tatiana Corrêa/NDTVAo comentar sobre a morte do soldado Luiz Fernando de Oliveira, 35, atingido por traficantes durante confronto no Norte da Ilha de SC, na última sexta-feira (11), o parlamentar disse: “Quem morre é sempre um praça, mas quem tem bons salários são os coronéis. Esse jogo salarial distante precisa ficar mais equilibrado”.
“Num momento em que toda uma corporação está enlutada, V. Exa. insiste em querer induzir ‘luta de classe’ entre os militares”, repudiou o coronel da reserva Sérgio Sell, presidente da Acors (Associação de Oficiais Militares de SC).
Seguir“O momento é de respeito e de preito, não de manifestações oportunistas e baixas”, disse o também coronel Marlon Teza, presidente da Feneme (Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais).
De acordo com o coronel Jefferson Schmidt, o deputado reinventou a expressão “chegar ao fundo do poço”.
“Com sua manifestação de tripudiar sobre a morte violenta de um policial militar em serviço, para simplesmente fazer política vil e barata com foco exclusivo em sua próxima campanha de duvidosa categoria, aviltou a sobriedade e o decoro popular”, disse.
“Ao invés de ser solidário ou de questionar como um fuzil ilegal chegou às mãos de um jovem infrator reincidente, poderia ao menos fechar a boca e recolher-se em sua insignificância. E mais, preferiu tripudiar, se esquecendo que aquele policial militar possui um pai, uma mãe, uma esposa e uma filha de 7 anos”, comentou Schmidt.
Depois da repercussão e da manifestação da Feneme, Naatz voltou a publicar na internet a respeito. “Quem está na linha de frente, quem se fere psicologicamente e fisicamente é quem tem os menores salários. Isso é uma realidade inquestionável”, disse.
O deputado também falou que “não teve a intenção de ferir mas de chamar a atenção para um grave problema que é a baixa remuneração daquele que está no dia a dia combatendo a criminalidade e sendo morta por ela”.