Os comerciantes do Centro de Florianópolis convivem diariamente com o sentimento de insegurança. A reclamação já é antiga, mas os furtos continuam acontecendo e intimidando lojistas e clientes.
Comerciantes relatam insegurança no Centro de Florianópolis – Foto: Reprodução/Google Maps/NDA loja de Ivete Berri, de 66 anos, é furtada quase todos os dias. Quando percebe um furto em andamento, a empresária mesma resolve: “Até a guarda chegar aqui, eu mesma resolvo a situação. Tiro a mercadoria, quase deixo o cara pelado ali, arranco a mercadoria de dentro da roupa dele e resolvo a situação aqui na hora”.
O problema, na opinião de Ivete, é que essa área do calçadão da rua João Pinto ficou esquecida. “Eu tô há 30 anos nessa região e desde que saiu o terminal [de ônibus] daqui nós estamos totalmente abandonados. Então, os impostos não abaixam, nós totalmente abandonados, só tem morador de rua”, contou.
No Largo da Alfândega, a maioria dos comerciantes também reclama da insegurança. Ana Tayzes Barbosa é gerente de uma cafeteria da região e disse que “depois das 18h, fica escuro, as lâmpadas também não estão acendendo, ficam os moradores de rua brigando, muitas vezes com faca, com vidro. Então, traz uma insegurança para a gente que trabalha e para as pessoas também que procuram o Largo”.
Diante dessas reclamações, a Guarda Municipal de Florianópolis decidiu fazer uma pesquisa com 300 comerciantes da região central. Chama-se pesquisa de vitimização, para saber que tipos de crime vinham acontecendo e há quanto tempo. O objetivo central era saber a diferença daqueles crimes que estavam acontecendo e os que de fato eram comunicados para a polícia.
O secretário municipal de Segurança Pública, coronel Araújo Gomes, explicou que as vítimas de furtos ou roubos precisam fazer o boletim de ocorrência porque é com base nesses relatos que as autoridades podem melhorar o policiamento em determinado local.
“Nós constatamos algo importante: 41% das pessoas que tinham sido vítimas de crime não haviam registrado boletim. Fizemos uma campanha incentivando o registro da ocorrência, identificando qual era o perfil de segurança dos estabelecimentos comerciais no andar térreo dessas regiões. Identificamos uma série de fragilidades na segurança das próprias lojas, principalmente em relação à proteção noturna e a forma como os ladrões costumam operar”, afirmou Gomes.
Segundo o secretário, os resultados da pesquisa foram compartilhados em uma reunião na CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Florianópolis e um projeto educativo está em desenvolvimento, “para orientar os comerciantes como tornar seus comércios menos vulneráveis aos crimes noturnos”.
Outro problema apontado pela PM (Polícia Militar) é a legislação brasileira, que acaba soltando os criminosos em audiências de custódia. “Não só para a polícia, porque é um retrabalho ter que pegar essa pessoa que provavelmente vai se envolver com o crime novamente, mas pela questão do público em geral que vai ver aquela pessoa que dias atrás estava cometendo um delito novamente na rua. Isso tudo transmite essa sensação de insegurança para o cidadão”, disse o comandante do 4º Batalhão da PM, Diogo Cidral.
Em nota, o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) esclareceu que as decisões dos juízes estão vinculadas às leis de execução penal e que seguem os precedentes judiciais de cada caso. Mas as autoridades afirmam que há uma tendência de queda nos furtos e roubos no Centro de Florianópolis. No mês de março foram 37 ocorrências. No último mês de junho, foram registradas apenas 12.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.