Como é o ‘sinal de facção’ que levou a casos de tortura em Florianópolis

Vítimas confundidas com criminosos foram levadas para uma casa na região do Canto do Lamim, onde foram agredidos com extrema violência

Foto de Vivian Leal

Vivian Leal Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O espancamento, seguido de tortura, contra dois turistas paulistas na praia de Canasvieiras, em Florianópolis, foi motivada por um gesto com as mãos, interpretado por criminosos como um sinal de facção. Segundo a Polícia Civil, os homens responsáveis pela agressão são membros do PGC (Primeiro Grupo Catarinense) e acreditavam que as vítimas eram vinculadas à facção rival, PCC (Primeiro Comando da Capital).

Entrada da servidão São Patrício, onde fica o local em que as vítimas que fizeram gesto confundido com sinal de facção foram agredidas Entrada da servidão São Patrício, onde fica o local em que as vítimas que fizeram gesto confundido com sinal de facção foram agredidas – Foto: PCSC/ND

Na sexta-feira (21), três pessoas foram presas por participação na violência. A captura foi realizada pela Decrim (Delegacia de Combate ao Crime Organizado). Os detidos devem responder por homicídio tentado, tortura e cárcere privado. O caso ocorreu no dia 11 de março de 2024.

Como é gesto confundido com sinal de facção?

À reportagem do ND Mais, o titular da Decrim, delegado Alex Bonfim, explicou as poses que eram feitas pelos turistas paulistas, no momento em que foram percebidos pelos criminosos catarinenses.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Segundo Bonfim, o sinal de facção, adotado pelo PCC, consiste na exibição de três dedos com a mão na horizontal. As vítimas, que não tem vínculo com o grupo criminoso, tiravam fotos com essa pose quando foram abordadas.

Gesto com três dedos é associado à facção paulista, PCC, diz polícia civil – Foto: Freepik/NDGesto com três dedos é associado à facção paulista, PCC, diz polícia civil – Foto: Freepik/ND

“O gesto TD3 é relacionado ao PCC, enquanto TD2 está vinculado ao CV e PGC”, explicou o delegado ao ND Mais. O “TD” no sinal de facção significa tudo, ou seja, tudo dois ou tudo três.

Segundo a Polícia Civil, cerca de 20 dias após o caso de tortura em Canasvieiras, outro turista paulista foi agredido por criminosos do PGC. Dessa vez, no entanto, a violência aconteceu pelo simples fato de ser paulista, sem haver feito qualquer gesto confundido com sinal de facção.

  • 1 de 2
    Em dezembro de 2024, Henrique Marquez foi morto em Jericoacoara após fazer o gesto TD3, do PCC, sem saber - Arquivo Pessoal/ND
    Em dezembro de 2024, Henrique Marquez foi morto em Jericoacoara após fazer o gesto TD3, do PCC, sem saber - Arquivo Pessoal/ND
  • 2 de 2
    Por outra variação do TD3, as irmãs Rayane e Rithele Alves Porto foram torturadas e mortas no Mato Grosso, em setembro de 2024 - Reprodução/Cidade Alerta/ND
    Por outra variação do TD3, as irmãs Rayane e Rithele Alves Porto foram torturadas e mortas no Mato Grosso, em setembro de 2024 - Reprodução/Cidade Alerta/ND

Vítimas foram agredidas em local ermo no norte da Ilha

Conforme a investigação, os investigados K.D.F., D.S.R. e J.P.T levaram os turistas paulistas até uma casa, na servidão São Patrício, na região do Canto do Lamim, no norte da Ilha. Lá, as vítimas foram brutalmente agredidas e mantidas em cativeiro por diversas horas.

Um dos turistas teve as pernas quebradas, enquanto o outro foi espancado com pedaços de madeira. Após a violência, as vítimas tiveram seus pertences roubados pelos acusados de tortura a turistas. Elas foram libertas e registraram boletim de ocorrência.

Local das agressões no norte da Ilha foi destruído após liberação das vítimas – Foto: PCSC/NDLocal das agressões no norte da Ilha foi destruído após liberação das vítimas – Foto: PCSC/ND

Rivalidade entre PCC e PGC

A disputa por territórios para o tráfico de drogas, em Santa Catarina, ocorre, principalmente, entre duas facções criminosas: o PGC (Primeiro Grupo Catarinense) e o PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo.

O PCC, apesar de ser a maior facção criminosa do país, tem pouca representatividade no estado, mas controla pontos estratégicos. Em Florianópolis, a região de domínio é a da comunidade do Papaquara, no norte da Ilha. A área fica próxima de onde as agressões aconteceram.

O PGC, por sua vez, domina maior espaço de terra e possui mais de dez mil membros em todo o estado. O grupo é vinculado ao Comando Vermelho, facção carioca e principal rival do PCC no país.