Compra de 300 imóveis e ligação com máfia italiana: operação mira crimes internacionais em SC

Investigação aponta que suspeitos usavam empresas fantasmas em SC para lavar dinheiro italiano de origem criminosa

Juliane Guerreiro Joinville

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Crimes transnacionais de lavagem de dinheiro e organização criminosa entre Itália e Brasil são alvo de uma operação da Polícia Federal em ação conjunta com o Ministério Público Federal e a Receita Federal na manhã desta terça-feira (25), em Joinville e Itapoá, no Norte de Santa Catarina.

Operação cumpre sete mandados de busca e apreensão em Joinville e Itapoá – Foto: PF/DivulgaçãoOperação cumpre sete mandados de busca e apreensão em Joinville e Itapoá – Foto: PF/Divulgação

Denominada Operação “I Conti”, a ação cumpre sete mandados de busca e apreensão em endereços nas duas cidades catarinenses.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação começou após a prisão de um homem com documentos falsos em 2018. À época, procedimentos da Receita Federal identificaram que crimes transnacionais de lavagem de dinheiro poderiam estar ocorrendo entre os dois países.

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Com a apuração, a polícia descobriu que um grupo de cidadãos italianos e seus comparsas no Brasil criaram várias empresas fantasmas registradas com identidades falsas em nome de laranjas.

Essas empresas seriam usadas, então, para a lavagem de dinheiro de origem criminosa, enviado da Itália para a ocultação no Brasil. Mais de 300 imóveis foram adquiridos no litoral catarinense como forma de lavar o dinheiro vindo do país europeu.

Mais de 300 imóveis foram comprados no litoral catarinense com dinheiro de origem criminosa – Foto: PF/DivulgaçãoMais de 300 imóveis foram comprados no litoral catarinense com dinheiro de origem criminosa – Foto: PF/Divulgação

Com ajuda internacional, a investigação identificou que seis dos italianos envolvidos no esquema tem antecedentes criminais na Itália relacionados a fraudes, falsificações e lavagem de dinheiro. De acordo com a Receita Federal, eles podem, ainda, ter relação com a máfia italiana.

A Justiça Federal já decretou o bloqueio de todos os bens móveis, imóveis e outros valores em nome dos envolvidos e de suas empresas. O montante, contudo, ainda não foi contabilizado. As provadas colhidas nesta terça-feira serão analisadas para responsabilizar os suspeitos e determinar a destinação dos bens sequestrados.