O companheiro de Daniela Almeida Pereira, 36 anos – que foi encontrada morta no Sul da Ilha nesta quarta-feira (8), confessou ter cometido o crime. Ele alegou que os dois tiveram uma discussão e durante a briga ele a empurrou. Na queda, segundo a versão dele, a mulher teria batido a cabeça numa pedra, o que teria provocado a morte.
Daniela Almeida Pereira foi encontrada morta na última quarta-feira – Reprodução/Arquivo PessoalApós supostamente constatar que a mulher estava morta, o companheiro decidiu ocultar o corpo queimando numa fogueira e enterrando no sítio onde os dois moravam. Apesar de assumir a autoria, ele ainda não foi preso. Como não houve flagrante, a detenção depende de um pedido de prisão preventiva.
Segundo o delegado Ênio Matos, da Delegacia de Homicídios de Florianópolis, a conclusão do inquérito depende dos laudos periciais para confirmar a identidade da vítima. O exame cadavérico também pode ajudar a verificar se houve algum sinal de agressão além da batida na cabeça relatada pelo autor, embora a possibilidade seja mínima, uma vez que o corpo estava carbonizado.
SeguirNa versão do autor à polícia, a discussão do casal começou no telefone, enquanto ela se deslocava do Centro para casa, no Ribeiro da Ilha. Ele a esperava no ponto de ônibus, pois a casa é distante da parada. A briga teria dado continuidade dentro do carro e, em seguida, na frente de casa. Foi quando o crime aconteceu.
Segundo apuração da polícia, o casal morava junto há três meses e as brigas eram constantes. Já havia inclusive registro de boletim de ocorrência por “vias de fato”. O inquérito policial trata o caso como feminicídio.
Daniela estava desaparecida desde o dia 15 de abril. A polícia já desconfiava do companheiro dela, pois a câmera de monitoramento do ônibus capturou imagem do carro dele na parada. Além disso, o homem só registrou o desaparecimento três dias depois.
O corpo de Daniela foi encontrado nesta quarta-feira (8) – mesmo dia em que outras duas mulheres foram assassinadas no Estado. Aline Rodrigues Camargo Pereira, 37, foi morta pelo ex-marido com golpes de faca, no início da tarde, na Beira-Mar de São José. A mulher, que era funcionária da Comcap, havia saído de casa, já tinha medida protetiva e ainda havia trocado o local do trabalho para evitar contato com o marido.
Já no Norte do Estado, em Rio Negrinho, uma adolescente de 17 anos foi morta a facadas pela companheira de 16 anos. A garota foi apreendida. Com essas mortes e considerando o último levantamento da Secretaria de Segurança Pública de segunda-feira, já são pelo menos 25 feminicídios em Santa Catarina só neste ano.
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