Condenados terão nome, CPF e foto expostos? Entenda a nova proposta

O projeto quer divulgar as informações de todos os condenados criminalmente para consulta pública

Foto de Daiane Carolina

Daiane Carolina Chapecó

Receba as principais notícias no WhatsApp

Um projeto de lei apresentado pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) propõe a criação do Cadastro Nacional de Condenados, reunindo dados públicos sobre pessoas condenadas criminalmente, incluindo nome, CPF, foto e tipo de crime. A medida altera o Código de Processo Penal e amplia o atual cadastro de condenados por estupro.

Os dados serão públicos sobre as pessoas condenadas criminalmenteProjeto quer divulgar informações de todos os condenados, não apenas por crimes sexuais – Foto: Divulgação/Freepik/ND

O que diz o projeto Cadastro Nacional de Condenados?

De acordo com o PL 442/2025, assim que houver condenação em primeira instância, as informações do réu serão incluídas em um sistema aberto para consulta pública. A fotografia do condenado será removida após o cumprimento da pena ou extinção da punibilidade.

A proposta modifica a legislação atual, que prevê a publicidade apenas para crimes de estupro, ampliando o acesso para todas as condenações criminais. A justificativa é que a sociedade tem direito a essas informações para segurança jurídica em negociações e contratações.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Possibilidade de sigilo

A proposta prevê que juízes possam determinar sigilo em casos específicos, como situações que envolvam risco à integridade da pessoa condenada ou quando a divulgação possa comprometer investigações em andamento. Caso a pessoa seja absolvida, o acesso aos dados será restabelecido.

A atualização das informações ficará a cargo dos órgãos responsáveis, que deverão seguir regulamentação específica a ser definida posteriormente.

A sociedade tem o direito de saber quem são os condenadosA proposta prevê que juízes possam determinar sigilo em casos específicos – Foto: Divulgação/Freepik/ND

Segurança x ressocialização

O senador defende que a iniciativa equilibra segurança coletiva e direito à ressocialização. “A sociedade tem o direito de saber quem são os condenados, independentemente do tipo de crime”, argumenta Pontes.

Ele também destaca que o acesso público aos dados traz segurança para contratações e negociações. “O processo de ressocialização não deve ser encarado como um risco para o empregador, mas a proteção e a prudência na contratação são direitos legítimos”, afirma o senador.

Críticos da proposta, no entanto, apontam que a medida pode dificultar a reintegração social dos condenados, ampliando o estigma e dificultando o acesso ao mercado de trabalho.

Próximos passos

O PL 442/2025 aguarda encaminhamento para as comissões temáticas do Senado, onde será analisado antes de avançar no Congresso. Se aprovado, o projeto pode alterar de forma significativa a forma como os dados criminais são disponibilizados no Brasil.

Tópicos relacionados