A Ucrânia vive momentos de caos após a invasão russa. Explosões e tanques nas ruas da capital Kiev mostram um cenário de guerra que amedronta quem vive no país.
O Balanço Geral Florianópolis conversou nesta quinta-feira (24) com a ucraniana Viktoriia Maksiutenko Lamarque, que é casada com um brasielrio e mora em Santa Catarina. Ela contou como foram as últimas conversas com amigos que vivem no país europeu.
Ucraniana que mora em SC fala sobre invasão da Ucrânia pela Rússia – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV“Recebi mensagem de uma amiga da Ucrânia, a gente nasceu, cresceu, viveu juntas muitos anos, ela se despedindo de mim. Dizendo que, se por acaso a gente não se encontrar mais, que ela me ama muito. Isso dói. Isso dói muito. Eu não entendo isso. Não cabe na minha cabeça que a cidade onde eu nasci, cresci, me formei, cidade onde a minha família tava vai ser destruída um dia. É uma cidade antiga. A história dos kozaks ucranianos começou lá”, disse Viktoriia. Ela é natural de Zaporizhzhya, cidade no centro-leste ucraniano.
A ucraniana conta que ela, assim como outros conterrâneos que vivem no Brasil, “já fez contato, nós oramos, nós conversamos bastante. O aeroporto da minha cidade foi destruído de noite. Porque eu falei para os meus amigos ‘qualquer coisa vocês juntam malas e vêm para cá, correndo’ e eles disseram que não tem nem como sair pelo aeroporto porque o aeroporto não existe mais”.
Na mesma cidade, estão jogadores de futebol brasileiros que atuam em times da Ucrânia. Eles e suas famílias relataram falta de combustível e que as fronteiras terrestres e aéreas estavam fechadas. Os atletas também pediram apoio do governo brasileiro para deixar o país europeu em um vídeo nas redes sociais.
Para Viktoriia, a invasão russa foi uma surpresa: “Não existia [essa preocupação], nem pensamento. O povo russo e ucraniano realmente tem laços culturais e históricos muito fortes. Meus pais nasceram na Rússia. Eu nasci e fui criada na Ucrânia. Então, eu não tenho como simplesmente me dividir entre uma coisa ou outra. A notícia de que começou essa invasão na fronteira foi uma surpresa, como se caísse água gelada em cima da cabeça.”
A ucraniana contou que a invasão também foi um choque para seus amigos russos e que “o povo comum russo tá contra isso. Só que o Putin pensa diferente”.
Segundo informações das autoridades locais, a Ucrânia teria relatado a morte de pelo menos 40 soldados. Outras 18 pessoas morreram em uma localidade da região de Odesa, no sul da Ucrânia, após a invasão russa.
Confira a entrevista completa no vídeo.