Mulher é presa por injúria racial após chamar babá negra de ‘macaca’ em praça de Florianópolis

Denunciada teria proferido injúria racial contra babá que subiu em pé de goiabeira para pegar fruta a crianças; investigada está presa na penitenciária de Florianópolis

Foto de Felipe Bottamedi*

Felipe Bottamedi* Florianópolis

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Uma moradora do bairro Córrego Grande, em Florianópolis, foi presa em flagrante por crime de injúria racial pela Polícia Militar nesta quinta-feira (22). Ela foi denunciada por um grupo de quatro babás negras que citam injúrias racistas – dentre elas “nega fedida” – que teriam sido proferidas pela mulher no dia anterior.

Diante da Polícia Militar, a suspeita negou as acusações dizendo que chamou uma das babás de “negona” – o que justificou a detenção em flagrante, segundo a Polícia Civil. A investigada está presa na penitenciária de Florianópolis.

Investigada está presa na penitenciária de Florianópolis por injúria racialInvestigada está presa na penitenciária de Florianópolis por injúria racial – Foto: NDTV/Divulgação/ND

A troca de acusações começou na quarta-feira (21). O grupo de babás – Aliane Simão de Sá, Ivanir Godoy da Rocha, Vanessa Correia Ferreira e Geli Satilo da Silva – cuidava de crianças na Praça da Berman, conhecida como Praça da Comunidade, no Córrego Grande.

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Aliane afirma que decidiu subir em um pé de goiabeira da praça para pegar frutas para as crianças. Em certo momento, a suspeita se aproximou do grupo, acompanhada de um cachorro. Após jogar o cocô do cão no lixo, teria proferido as injúrias.

De acordo com as babás, a mulher teria dito “‘achei que era uma criança [em cima do pé de goiabeira], mas é uma nega fedida. Morta de fome’”. Ela ainda teria chamado Aliane de ‘macaca’.

As cuidadoras afirmam que ficaram paralisadas, sem compreender o que ocorria.

“Não tinha entendido. Depois vimos que ela se referia à [situação do pé de] goiaba”, lembra Geli.

“Perguntei se ela sabia que [racismo] é crime. Ela disse ‘então me processa'”, complementa Aliane.

Babás descobriram endereço da investigada

Entre quarta e quinta-feira, as babás se empenharam em descobrir o endereço da mulher para formalizar a denúncia. Recorreram também a grupos de WhatsApp do bairro. Com as informações em mãos, foram até o local nesta quinta-feira e acionaram a Polícia Militar.

Quando as babás chegaram lá, a mulher estava na rua com o cachorro. Um vídeo realizado no momento mostra a mulher negando que as xingou e citando que foi chamada de “vagabunda” pelas cuidadoras. As imagens mostram que ela tenta atacar uma babá com o braço.

De acordo com a Alessandra Colpani Rabello, coordenadora da CPP (Central de Plantão Policial), a investigada confessou que injuriou Aliane ao afirmar que a chamou de ‘negona’ em frente aos policiais, o que justificou a prisão em flagrante.

A reportagem não localizou a defesa da investigada até a última atualização deste texto. Ela deve passar por audiência de custódia na sexta-feira (23).

Crime de racismo e de injúria racial

A lei 14532/2023, que define o crime de racismo, prevê pena de 2 a 5 anos e multa. Ele é tipificado como qualquer ação discriminatória a grupos minoritários e minorias em razão de sua cor, etnia e religião, sendo enquadrado em condutas que atingem a coletividade.

A injúria racial é uma modalidade de racismo, caracterizada como uma conduta discriminatória contra uma pessoa específica por razão de cor, etnia e religião. Desde janeiro de 2023, a injúria passou a ser equiparada ao racismo, com ambos tendo pena de 2 a 5 anos de reclusão e multa. Os delitos também são inafiançáveis e imprescritíveis.

*A reportagem conta com informações da repórter Suzan Rodrigues e da produção do Cidade Alerta, da NDTV.

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