Corpo de idoso foi guardado em casa para filhos manterem pensão do INSS, aponta investigação

Laudo do IML indica que corpo de Dário D’Ottavio foi mantido pelos filhos por até dois anos na residência da família para manter benefícios ativos

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Deny Campos Florianópolis

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Filhos mantinham corpo de pai em casa para receber benefícios do INSS – Foto: Reprodução/NDFilhos mantinham corpo de pai em casa para receber benefícios do INSS – Foto: Reprodução/ND

Um novo capítulo do crime macabro que repercutiu nacionalmente, onde casal de filhos mantiveram corpo de pai em casa por cerca de 2 anos na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, ganhou destaque.

O laudo emitido pelo IML (Instituto Médico Legal) concluiu que Dário Antônio Raffaele D’Ottavio, de 88 anos, pode ter morrido entre seis meses e dois anos antes de ser encontrado em avançado estado de decomposição, dentro do quarto da própria residência.

Segundo o documento pericial, não havia sinais visíveis de violência, mas a causa da morte também não pôde ser determinada devido à condição do cadáver.

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O corpo de pai em casa foi mantido intencionalmente pelos filhos, Marcelo Marchese D’Ottavio e Tânia Conceição Marchese D’Ottavio, com o objetivo de continuar recebendo os benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Filhos mantinham corpo de pai em casa para receber R$ 5 mil de benefícios do INSS

O delegado Felipe Santoro, da 37ª Delegacia Policial (Ilha do Governador), confirmou que os benefícios do idoso seguiam ativos mesmo após sua morte. A polícia apura se os saques mensais, que totalizavam cerca de R$ 5 mil, estavam sendo realizados pelos próprios filhos.

Marcelo Marchese D’Ottavio era o idoso que teve corpo mantido em casaFilhos que mantiveram cadáver do pai em decomposição estavam recebendo R$ 5 mil de aposentadoria – Foto: Reprodução/RecordTV/ND

Os valores envolviam aproximadamente R$ 3,5 mil de aposentadoria e R$ 1,4 mil de pensão por morte — esta última concedida antes da reforma previdenciária de 2019, o que permitia o acúmulo integral dos proventos.

A denúncia partiu de vizinhos que não viam Dário há cerca de dois anos e começaram a desconfiar do sumiço. Durante diligência no imóvel, os policiais localizaram o corpo de pai em casa, já reduzido a um esqueleto, em um dos quartos.

Cadáver estava em avançado estado de decomposiçãoCorpo de idoso estava em estado avançado de decomposição na cama onde era seu quarto – Foto: Reprodução/RecordTV/ND

O ambiente era compartilhado com os filhos, que agora estão presos e respondem criminalmente pela ocultação do cadáver e possível fraude contra a Previdência. A Justiça manteve a prisão de Marcelo e Tânia após audiência de custódia.

Ambos ainda não apresentaram defesa formal. As investigações seguem para apurar por quanto tempo os benefícios foram indevidamente recebidos e se há outros envolvidos no caso.