O que era para ser o cumprimento de um mandado de busca e apreensão terminou em tiroteio e uma criança de 10 anos baleada em Balneário Barra do Sul, no Norte do Estado.
Na casa foram apreendidas uma arma, munição, celulares e droga – Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoNa manhã desta terça-feira (9), três policiais civis de Araquari foram até o bairro Pinheiros cumprir um mandado de busca e apreensão da Operação Tríade, que investiga o tráfico de drogas na região de Itajaí. O alvo era a residência de um homem de 34 anos, no Loteamento Portal das Praias.
Ao chegar ao local, por volta das 6h30, no entanto, os policiais foram recebidos com tiros durante o tiroteio uma criança de 10 anos e uma mulher, que estavam dentro da casa, foram atingidos.
SeguirDe acordo com o delegado Tiago Escudeiro, os objetos do mandado eram um celular, drogas e uma arma de fogo.
“Quando estávamos nos preparando para bater na porta, ele colocou a mão para fora, pela janela, e começou a efetuar os disparos. Depois da troca de tiros, quando conseguimos recuar, falamos que era a polícia, para ele sair de casa”, conta o delegado.
Neste momento, a mulher teria gritado de dentro de casa, avisando que ela e o filho estavam baleados. Os dois saíram da casa, o garoto, de 10 anos com a mão no peito, conta o delegado. “Ele saiu com a sangue e a mão no peito. O medo era que ele tivesse sido atingido. Ele ainda olhou e perguntou: tio, eu vou morrer?”, lembra. O menino foi atingido no ombro e na mão e a mulher, no ombro e na perna.
Depois da insistência dos policiais para que saísse, o homem deixou a casa, mas ainda resistiu à prisão, entrando em luta corporal com os policiais, que ficaram feridos com arranhões provocados pelo vidro da porta, que estourou com os tiros.
Segundo Escudeiro, o homem demorou para sair da casa porque estava escondendo a arma no freezer. “Ele usou a criança como ‘escudo’ para ir de um cômodo a outro”, diz.
Homem foi preso em flagrante por tentativa de homicídio
Aos policiais, o suspeito alegou que não ouviu o aviso de que era a polícia quem estava na sua casa. O delegado conta, ainda, que o irmão do suspeito foi assassinado, na frente dele, após envolvimento com o tráfico de drogas e ele também teria sido ameaçado. A mãe do homem contou à polícia que o filho passa por tratamento psiquiátrico após testemunhar a morte do irmão. Os policiais encontraram remédios controlados na casa do suspeito.
Durante o dia, testemunhas foram ouvidas e, no próprio local, dois vizinhos gravaram depoimentos à polícia. Na casa, todos os objetos alvos do mandado de busca e apreensão foram localizados. Foram apreendidos: droga, mais de 60 estojos de munição de revólver – a arma não foi encontrada – munição de arma calibre 380, celulares e a arma utilizada no tiroteio.
O IGP (Instituto Geral de Perícias) foi acionado e, segundo o delegado, havia manchas de sangue por toda a casa porque o garoto foi utilizado como “escudo humano”.
O homem foi preso em flagrante por três tentativas de homicídio contra os policiais. Ele foi atingido de raspão na barriga, recebeu atendimento, prestou depoimento e será encaminhado à UPA (Unidade Prisional Avançada) de São Francisco do Sul.
A mulher e a criança foram transferidas para hospitais de Joinville e e passaram por procedimentos cirúrgicos. O garoto está internado no Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria e o estado de saúde é considerado estável. Os dois não correm risco de morte.
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