Criminosos impõem “lei do silêncio” para expulsar famílias de condomínios em Joinville

Polícia realizou operação no final de outubro em um dos maiores condomínios populares da cidade para combater ação de organizações criminosas

Foto de Redação ND

Redação ND Joinville

Receba as principais notícias no WhatsApp

A cidade mais populosa de Santa Catarina tem dois condomínios residenciais populares que reúnem milhares de pessoas realizando o sonho da casa própria. Os condomínios ficam em extremos, na zona Sul e na zona Norte de Joinville e, atrás de muros e cercas, os moradores convivem entre si e com o medo. O motivo: a ação de organizações criminosas.

Organização criminosa expulsa famílias para usar o apartamento como moradia e ponto de venda de drogas – Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoOrganização criminosa expulsa famílias para usar o apartamento como moradia e ponto de venda de drogas – Foto: Polícia Civil/Divulgação

No final de outubro, após investigações que apontavam que moradores são expulsos dos próprios apartamentos por uma organização criminosa, a Polícia Civil deflagrou uma operação no condomínio Rubia Kaiser, no bairro Jardim Paraíso.

A ação não é inédita. No bairro Boehmerwald, o residencial Trentino já foi palco de ações semelhantes. O objetivo dos criminosos, aponta a Polícia Civil, é utilizar os apartamentos como pontos de tráfico de drogas aproveitando o volume de moradores e unidades habitacionais, o que dificulta a fiscalização e ação da polícia.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“A facção infelizmente impõe uma lei do silêncio nesses locais, por isso essas informações dos crimes que ocorrem lá não chegam com tanta facilidade por conta do medo de as pessoas serem identificadas”, fala o delegado Leandro Moisés de Sousa.

A delegada Georgia Marrianny Bastos ressalta que, a minoria da população desses condomínios é envolvida com o crime e acabam sendo atacadas pelos envolvidos com as organizações. “Uma minoria que é envolvida no crime, a maioria são pessoas trabalhadoras, de bem e que infelizmente acabam suportando a lei do silêncio por medo de represália contra ela ou contra a própria família”, diz.

A investigação, ressalta o delegado Leandro, é dificultada pelos modelos dos condomínios. “Infelizmente esse modelo de ocupação, ele se revelou inadequado. O problema de um condomínio de prédios é que você identifica um prédio, mas depois no interior do prédio, você vai precisar identificar entre 16 unidades qual é a que é utilizada pra isso. Inclusive, as unidades são, às vezes,o material ilícito fica em um apartamento e eles ocupam um segundo apartamento”, fala. 

Para a delegada Georgia, além da denúncia dos próprios moradores, é fundamental que outros órgãos ajudem a combater a prática criminosa. “É muito importante também que a população denuncie, porque a partir da denúncia nós vamos fazer uma verificação. Indo até o local e confirmando, nós podemos prender essa pessoa inclusive em flagrante dependendo a situação que a gente encontre ela”, diz.

“A polícia civil faz o seu trabalho, mas não é o suficiente para resolver o problema, então é muito importante que outros setores, em especial a Caixa Econômica Federal, participar ativamente. No momento que ela contempla um beneficiário do programa, ela precisa estar ali envolvida e acompanhando a posse e a propriedade desse imóvel”, complementa.

Na operação realizada em outubro, um jovem de 18 foi flagrado em um dos apartamentos e confessou ter invadido o local.

Tópicos relacionados