‘Dá dó ver a minha filha’: família de menina desaparecida em SC traz versão diferente

Mãe da adolescente diz que filha foi sequestrada e abusada por homem de 28 anos e não pelo de 25, e denuncia polícia por divulgar apenas a versão dos suspeitos

Foto de Grazielle Guimarães

Grazielle Guimarães Itajaí

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A família da adolescente L.C.C, de 14 anos, que ficou dez dias desaparecida por estar trancada na casa de dois homens em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, apresentou uma versão diferente do que a Polícia Militar divulgou ao resgatar a jovem.

L. mora com a família em Navegantes e no último dia 1° de maio saiu de casa dizendo que iria até o mercado que fica no bairro Porto das Balsas e não voltou mais para casa até a última terça-feira (10). A última vez que ela havia sido vista foi a caminho da balsa que faz a travessia de Navegantes para Itajaí.

A mãe de L. fez um apelo para que as pessoas conheçam a versão da família – Foto: iStock/Ahmet Yarali/NDA mãe de L. fez um apelo para que as pessoas conheçam a versão da família – Foto: iStock/Ahmet Yarali/ND

A mãe de L. afirma que a filha foi sequestrada e abusada pelos homens de 25 e 28 anos e que o conhecido da família, que alegou ter um relacionamento com a menina, é o suspeito de 28 anos e não o de 25. Ainda de acordo com a mãe, a menina não conhecia o rapaz de 25 anos.

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“O que ela conta é que nunca viu o rapaz de 25 anos, que junto com o de 28 anos estão tentando difamar a minha filha, falando que a conheceram pela internet o que é mentira. Ela nunca viu esse de 25 anos e o de 28 anos é o conhecido da família”, explica a mãe.

Ainda de acordo com a mãe de L. a menina está desolada após o ocorrido. “Estamos conversando aos poucos com ela, tá de fazer dó a minha filha. Ela está muito desnorteada, não sai da cama, olha o tempo todo para o teto. A gente fica puxando ela, brincando, agora que consegui ajuda de pessoas com psicólogo, psiquiatra e terapeutas”, relata a mãe.

A mãe de L. fez um apelo para que as pessoas conheçam a versão da família que, de acordo com eles, a Polícia Militar não ouviu. “A polícia divulgou essa versão e nem conversou com a milha filha. Eles não escutaram a minha menina”, desataca.

Patrícia Burin é a delegada que conduz as investigações do caso, segundo ela a menina não foi ouvida porque a lei do depoimento especial veda ouvir a menor. Já a mãe da menina foi ouvida tanto pela Dra. Patrícia quanto pela delegada de plantão na CPP e será ouvida novamente nesta quinta-feira (12).

Para a mãe, a filha foi sequestrada pelos dois. “Peço que me ajudem, eles mantinha a minha filha trancada, levavam a chave e falavam para ela não fazer barulho, não mexer nas panelas, não fazer barulho em momento algum”.

Para ela, o amigo da família, o suspeito de 28 anos, arquitetou tudo “Ele que arquitetou todo o crime. Ela foi sequestrada e mantida em cativeiro. Eu tenho que confiar na minha filha e não nos bandidos”, ressalta.

“Ele manteve a minha filha menor de idade presa e vinha na minha casa prestar ajuda. A polícia confiou no que os bandidos falaram”, conta mãe de L.

A versão da Polícia Militar

O desaparecimento de uma menina de 14 anos, no último dia 1° de maio em Navegantes, teve desfecho nesta terça-feira (10). Em Itajaí, L.C.C, foi encontrada em cárcere privado na casa de um homem de 28 anos, o qual alegou ter um “relacionamento” com a adolescente.

Forças da Polícia Militar de Itajaí e Navegantes e da Polícia Federal se empenharam em encontrar a menina, a última vez que ela foi vista foi a caminho da balsa que faz a travessia de Navegantes para Itajaí. Ela havia dito à família que iria ao mercado no bairro Porto das Balsas e não voltou mais para casa.

Após resgatarem a menina, policiais promoveram encontro entre ela e a mãe, que estava arrasada – Foto: Polícia Militar/DivulgaçãoApós resgatarem a menina, policiais promoveram encontro entre ela e a mãe, que estava arrasada – Foto: Polícia Militar/Divulgação

Conforme apurado pela Polícia, a adolescente, que nesse mês completa 15 anos, teria saído de sua casa, no período noturno, em Navegantes, e não retornou mais. Dias depois, um homem ainda teria entrado em contato com a família e exigido a entrega dos documentos da vítima.

O homem em questão era conhecido da família, e de início teria até “ajudado” a procurar a vítima. Ainda de acordo com as diligências realizadas pelos policiais militares de Navegantes, o paradeiro da adolescente seria em Itajaí, onde dois homens, de 25 e 28 anos, seriam suspeitos e que após serem localizados na abordagem policial, admitiram que estariam em poder da adolescente em uma casa no bairro Cordeiros.

No local, os policiais encontraram a vítima, que segundo apurado permanecia em cárcere privado, pois não tinha meios de acessar a parte de fora da casa, sem a presença do homem de 28 anos, que saia às 6h da manhã para trabalhar e retornava somente às 19h da noite.

Ainda de acordo com os relatos individuais do envolvidos e familiares, o homem de 28 conheceu a adolescente recentemente, quando foi acolhido pela família da vítima e permaneceu morando na garagem da casa da família, nesse período a menina cuidava dos dois filhos do suspeito.

Nesse período em que estava na casa da família da menina, o homem teria se envolvido com a jovem, mantido relações sexuais e a incentivado a sair da casa onde vivia com a família e morar com ele em Itajaí, onde passou a ter a restrição de liberdade, e se relacionado com homem, não mantendo mais contato com a família nos últimos 10 dias.

Depois de ser resgatada pela família, os policiais promoveram o encontro da adolescente com a mãe que estava arrasada sem notícias da filha. Os envolvidos foram conduzidos a Central Policial.

Os dois homens abordados receberam voz de prisão, em tese, por sequestro, cárcere privado e estupro, sendo conduzidos à Central de Plantão Policial para as providências legais e melhor apuração dos fatos, autoria e crimes cometidos.

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