A PGR (Procuradoria-Geral da República) afirmou que os policiais militares do Distrito Federal sabiam das informações que confirmavam os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro, e que tratavam com “deboche e piadas” a possibilidade da invasão.
A declaração da Procuradoria foi feita nesta sexta-feira (18), durante a operação que investiga a PMDF (Polícia Militar do Distrito Federal).
Manifestantes invadiram o Congresso, STF e Palácio do Planalto; policiais militares teriam apresentado omissão, segundo a PGR – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDDe acordo com a PGR, policiais da cúpula da corporação faziam parte de grupos de mensagens e recebiam informações de infiltrados nos acampamentos montados em frente ao quartel-general do Exército, além da inteligência da PMDF. As informações são do Portal R7.
SeguirUm dos informantes diz, em uma das mensagens, que os manifestantes estavam “preparados para a guerra mesmo” e que não iriam “ceder de forma alguma”. “As coisas tá mais séria do que muitos brasileiros estão imaginando.”
A informação foi repassada para dois alvos da operação desta sexta: o coronel Marcelo Casimiro e o coronel Klepter Rosa, atual comandante-geral da PMDF. Ao receber a mensagem, Casimiro responde: “Vai dar certo”.
“Se afasta Xandão”
Ainda de acordo com o Portal R7, a denúncia da PGR aponta que, dois dias antes do segundo turno das eleições de 2022, Klepter Rosa Gonçalves, enviou um vídeo contendo imagens de um áudio de Whatsapp a Fábio Augusto Vieira, então comandante-geral.
A fala é atribuída de forma falsa a Ciro Gomes, na época candidato à presidência pelo PDT. “Na hora que der o resultado das eleições que o Lula ganhou, vai ser colocado em prática o art. 142, viu? Vai ser restabelecida a ordem, se afasta Xandão [ministro Alexandre de Moraes], se afasta esses vagabundo tudinho e ladrão, safado, dessa quadrilha… Aí vocês vão ver o que é pôr ordem no país”, alegava o áudio compartilhado pelo policial.
Áudio encaminhado era atribuído falsamente a Ciro Gomes e citava Alexandre de Moraes – Foto: PGR/Reprodução/ND“Não houve ‘apagão de inteligência’. Os denunciados receberam abundantes informações em diversos grupos de comunicação, inclusive com agentes infiltrados nos acampamentos, para monitorar a proporção dos atos e a organização dos seus integrantes” afirmou a PGR na denúncia, alegando que os PMs sabiam da invasão.
Policiais integravam grupos
Segundo a PGR, os policiais da cúpula da PMDF trocaram várias mensagens em grupos. Uma delas, no dia 7 de janeiro, informava que o fluxo de ônibus e pessoas em Brasília eram “monitoradas de forma constante, com sucessivos informes e alertas no grupo ‘ÁGUIA 1º CPR'”.
Outro grupo era formado por policiais militares que se dedicam à produção de informações de inteligência, além das autoridades máximas do Departamento de Operações: os coronéis Jorge Naime e Paulo José Ferreira, alvos da PF (Polícia Federal) nesta sexta (18).
Prints mostram troca de mensagens entre policiais e infiltrados – Foto: PGR/Reprodução/NDEntenda a operação
A PF realiza a operação desde o início da manhã desta sexta-feira (18) contra integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal por omissão nos atos de 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes.
O comandante-geral da PMDF, coronel Klepter Rosa Gonçalves, e o ex-comandante da corporação coronel Fábio Augusto Vieira estariam entre os alvos. As informações são do R7.
Os agentes cumprem sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Em nota, a PGR informou que foi constatada uma “profunda contaminação ideológica de parte dos oficiais da Polícia Militar do DF que se mostrou adepta de teorias conspiratórias sobre fraudes eleitorais e de teorias golpistas”.
Segundo o órgão, há ainda menção a provas de que os agentes — que ocupavam cargos de comando da corporação — receberam, antes de 8 de janeiro, diversas informações de inteligência do movimento e o “risco iminente da efetiva invasão às sedes dos Três Poderes”.
Segundo as provas existentes, os denunciados conheciam previamente os riscos e aderiram de forma dolosa ao resultado criminoso previsível, omitindo-se no cumprimento do dever funcional de agir.