O caso de uma idosa resgatada depois de ficar trancada dentro do próprio apartamento com o cadáver do filho por cerca de 10 dias em Balneário Camboriú, Litoral Norte de SC, no último final de semana, chocou pela solidão e descaso vividos. Contudo, infelizmente, a situação não é isolada.
Idosa tem Alzheimer e era cuidada por filho – Foto: PMBC/Reprodução/NDDe acordo com Christina Barrichelo, secretária de Desenvolvimento e Inclusão Social de Balneário Camboriú, há diversos casos de idosos moradores da cidade que são vítimas de abusos, diferentes tipos de violências e negligência.
No mesmo prédio em que a idosa de 91 anos foi resgatada no sábado (21), uma outra idosa aguarda uma decisão judicial para que a prefeitura possa intervir e prestar apoio. Por questões de segurança e segredo de Justiça, não foram passados mais detalhes do caso.
SeguirO que Christina afirma é que os casos acompanhados pelo programa Abraço ao Idoso são específicos e complexos, já que envolvem esse público composto por pessoas em vulnerabilidade.
Ela afirma ainda que o perfil dos idosos assistidos pelo programa é de pessoas de alto poder aquisitivo, com boas aposentadorias, mas sozinhas. Muitas vezes, pessoas que não tem apoio da família ou até que romperam com os familiares.
Em outras situações, familiares e/ou cuidadores tentam enganar esses idosos, se aproveitando da situação de vulnerabilidade. Por isso, o Abraço ao Idoso atua para coibir essas violências e presta apoio sempre que necessário.
‘Cheguei a vomitar’
A idosa, de 91 anos, que sofre de demência e Alzheimer, está com os netos e será encaminhada a uma casa especializada no cuidado de idosos. Ela foi encontrada trancada em um apartamento com o filho morto entre 7 e 10 dias, já em estado de decomposição no último sábado (21) em Balneário Camboriú.
Christina Barrichelo, secretária de Desenvolvimento e Inclusão Social de Balneário Camboriú, deu detalhes da ocorrência que dão dimensão da solidão em que mãe e filho de 69 anos viviam. “O cheiro no apartamento era tão forte que cheguei a vomitar, ele morreu em um sofá que estava coberto por larvas”, contou Barrichelo.
Vizinhos desconfiaram de cheiro forte no local – Foto: PMBC/Reprodução/NDO corpo do homem foi velado e cremado neste domingo (22), pelos filhos que vivem em Porto Alegre e vieram prestar apoio a avó. Sem contato há quase 1 ano, netos contaram que não tinham relação próxima com o pai, tampouco com a avó, por isso optaram por colocá-la em uma casa de idosos, já que ela precisa de cuidados e não ingere comidas sólidas.
O homem sofria de uma patologia cardíaca grave, que causou a morte dele, em setembro chegou a procurar ajuda no hospital e precisava ficar internado. “Porém ele se recusou, pois estava muito preocupado com a mãe que só tinha ele para cuidar. Então recusou atendimento médico e foi para casa”, detalhou Barrichelo.
A secretária detalha que a maioria das pessoas atendidas pelo Abraço ao Idoso são de alto poder aquisitivo, entretanto sozinhas, sem familiares e amigos de confiança para pedir ajuda. “Ao longo da vida ocorrem essas rupturas e essas pessoas ficam sozinhas e vulneráveis, muitas são enganadas, uma situação muito triste”, salienta Barrichelo.
Mau cheiro chamou atenção dos vizinhos de idosa
Os vizinhos da idosa acionaram a polícia após o mau cheiro que vinha do apartamento tomar conta do prédio, no local, a idosa de 91 anos foi encontrada ao lado do corpo do filho, morto a cerca de 10 dias, já em estado de decomposição.
A ocorrência foi atendida pela equipe do programa Abraço ao Idoso. “Quando nós entramos no apartamento, o cheiro era insuportável, mesmo com duas ou três máscaras, nós não conseguimos ficar ali”, relembra Christina.
A idosa vivia com um gato no local, que apresentava comportamento agressivo quando as equipes entraram no apartamento, provavelmente por estar sem comer há muito tempo. O animal também foi resgatado do local.
“A senhora tem Alzheimer, então ela não estava entendendo nada o que estava acontecendo”, afirma a secretária. Segundo Christina, ela aparentava estar desidratada e sem alimentação, já que ela não consegue comer comidas sólidas, e o filho era responsável pelos cuidados.
Idosa recebeu atendimento médico
A idosa foi encaminhada em uma ambulância para a UPA das Nações e os familiares, que moram em Porto Alegre (RS), foram contatados. Dois netos vieram da capital gaúcha para Balneário Camboriú prestar apoio para a avó.